O 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) encerrou nesta quinta-feira (13), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), três dias de debates sobre produção, alimentação, biovigilância, sanidade, tecnologia, mercado e gestão. Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o encontro reuniu especialistas do Brasil e do exterior e ocorreu paralelamente à 17ª Brasil Sul Pig Fair, que contou com mais de 50 empresas nacionais e multinacionais.
Ao longo da programação, palestras, mesas-redondas e a feira de negócios aproximaram discussões científicas dos desafios enfrentados por granjas e agroindústrias. A manhã de encerramento manteve essa proposta ao abordar o uso de tecnologias de precisão, a comunicação nas equipes, a sucessão e a escassez de profissionais qualificados.
Tecnologia e gestão encerram a programação
O zootecnista Bruno Silva abriu o último dia com uma apresentação sobre alimentação de precisão. Sensores, câmeras, sistemas de identificação e estações automatizadas foram apontados como ferramentas capazes de gerar dados, acompanhar o comportamento dos animais e adequar dietas às necessidades de cada fase produtiva, com possíveis ganhos em eficiência alimentar, saúde, bem-estar e sustentabilidade.
Na sequência, a psicóloga Creici Lamonato tratou da comunicação estratégica e dos efeitos provocados por interpretações que não correspondem aos fatos. Entre as ferramentas apresentadas esteve o método dos 5 Cs: checar antes de concluir, compreender antes de responder, clarificar antes de cobrar, confrontar sem atacar e confirmar antes de encerrar uma conversa.
O debate avançou para sucessão e capital humano com Rogério Facin, da Go Winners. Dados apresentados pelo palestrante indicaram que 59% dos trabalhadores precisarão passar por requalificação e que 44% das habilidades centrais deverão mudar nos próximos anos. Facin também citou índices de rotatividade entre 30% e 45% no segmento no Paraná e em Santa Catarina, com base em informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Para o especialista, atrair e reter a Geração Z exige apresentar o propósito do negócio, ouvir os profissionais e criar oportunidades de desenvolvimento. Além da fluência digital e da busca por inovação, a nova geração valoriza autonomia e flexibilidade, características que precisam ser conciliadas com uma atividade que funciona ininterruptamente.
Qualificação precisa ter propósito
O médico-veterinário Anderson Queirós, da Atualtech Consultoria e Instrutoria, destacou que a falta de profissionais não é exclusiva da suinocultura brasileira. Na avaliação do palestrante, o setor precisa repensar seus sistemas para se tornar mais atrativo, simplificar processos e automatizar tarefas repetitivas ou que demandem esforço físico.

Queirós também defendeu que a capacitação de adultos esteja ligada a objetivos claros. “Eu não posso treinar uma equipe sem que ela entenda o propósito real daquele treinamento”, afirmou. Entre os caminhos apontados estão a comunicação por meio de procedimentos verificáveis, o fortalecimento do senso de pertencimento, estratégias de retenção e a transformação do conhecimento em rotina.
Desafios não permanecem lineares
Em entrevista exclusiva à Feed&Food, a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, avaliou que os principais desafios da suinocultura brasileira variam conforme as condições da cadeia produtiva. Preços, produção, logística e alimentação foram citados entre os fatores que impedem uma trajetória linear para a atividade.
Ao analisar o SBSS, Aletéia apontou a combinação entre a programação científica e a Pig Fair como um dos diferenciais do encontro. “A gente junta essas duas partes: a parte do conhecimento com a parte do networking”, resumiu.
Segundo a dirigente, a grade científica busca reunir temas atuais, especialistas de referência e problemas enfrentados pelas agroindústrias para que as discussões resultem em ações. “O que a gente quer é que as respostas que as pessoas estão procurando sejam respondidas e que aquilo que foi decidido aqui já possa ser colocado em prática”, explicou.
Questionada sobre qual área demanda avanço mais urgente entre sanidade, inovação, sustentabilidade e qualificação profissional, Aletéia rejeitou uma hierarquia entre os temas. “São áreas que não conseguem caminhar separadamente. Para que a suinocultura continue sendo forte, todas elas precisam evoluir juntas”, ressaltou.
Para a presidente do Nucleovet, a aplicação prática deve permanecer como principal legado da 18ª edição. “A gente sempre espera que as pessoas que venham aqui consigam levar todo o conhecimento que é pensado aqui para ser aplicado de maneira prática no seu dia a dia. Esse é o legado, é o que a gente quer que todos os nossos participantes levem no final do nosso encontro”, concluiu.



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