Com auditório lotado e inscrições esgotadas, teve início nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF), o Workshop de Inovação em Saúde Animal, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O encontro segue até esta quinta-feira (13) e reúne representantes da indústria, governo, centros de pesquisa e empresas de tecnologia para discutir caminhos para ampliar a inovação, a competitividade e a inserção internacional da saúde animal brasileira.
A abertura contou com a participação de Marcelo Mota, diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/MAPA); Marcelo Narvaes Fiadeiro, secretário de Desenvolvimento Rural do MAPA; Norberto Prestes, presidente-executivo da Abiquifi; e Henrique Tada, presidente-executivo da Alanac.
Segundo Prestes, o workshop busca aproximar os diferentes elos envolvidos no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos para o setor. “Em dois dias de discussão, reunimos todo o ecossistema de desenvolvimento de inovação em Saúde Animal no Brasil para abordar temas que façam com que o país possa ampliar o portfólio de produtos inovadores e a competitividade nos mercados internacionais, bem como trazer novos medicamentos para cá”, afirmou.
O executivo também destacou a relação da iniciativa com a agenda de soberania e desenvolvimento tecnológico do país. A pauta integra o projeto Brazilian Pharma & Health (BPH), parceria entre Abiquifi e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para o biênio 2026-2028, que busca ampliar a presença internacional das empresas brasileiras e atrair investimentos para o setor de saúde animal.

MAPA Conecta e inovação regulatória
A programação começou com a apresentação do MAPA Conecta, plataforma do Departamento de Inovação para a Agropecuária (DIAGRO) que utiliza inteligência artificial para aproximar startups, incluindo Agtechs e Foodtechs, investidores e ecossistemas de inovação.
Luciene Mignani, diretora de Inovação do DIAGRO, e Rodrigo Barbosa Nazareno, coordenador de Iniciativas, apresentaram a ferramenta e discutiram seu potencial para estimular conexões entre os diferentes atores da cadeia de inovação.
Na sequência, Mauro Chaves, procurador federal da Advocacia-Geral da União (LABORI/AGU); Pedro Pereira Loureiro, consultor jurídico do MAPA; e Eliza Lemos, coordenadora da LABORI/AGU, abordaram o Sandbox Regulatório do MAPA para Inovação em Saúde Animal.
A discussão teve como foco a criação de mecanismos capazes de reduzir prazos e custos, ampliar a segurança jurídica e aprimorar a regulamentação com base em evidências, pontos considerados estratégicos para acelerar a chegada de novas tecnologias ao mercado.
Indústria aponta desafios para P&D
Ainda durante a manhã, representantes da indústria discutiram as principais demandas tecnológicas do setor, além de lacunas e desafios para pesquisa e desenvolvimento (P&D), investimentos em inovação, parcerias com startups e colaboração com centros de pesquisa.
O painel foi moderado por Helena Faccioli, head de Inovação em Saúde Animal da Abiquifi, e contou com Débora Andrade, diretora de Assuntos Regulatórios da Elanco; Débora Pimenta, diretora de P&D da Agener/União Química; Igor Gatto, gerente de Pesquisa Clínica e P&D da Ourofino; José Peron, diretor de Saúde Animal no Brasil da Boehringer Ingelheim; e Valdir Avino, gerente de P&D da Pearson/Eurofarma.
Da inovação ao mercado
No período da tarde, os debates avançaram para os desafios envolvidos na transformação de conhecimento e desenvolvimento tecnológico em produtos, registros e negócios para a indústria brasileira de saúde animal.
A programação abordou mecanismos de fortalecimento do ecossistema nacional de inovação, oportunidades de financiamento, proteção da propriedade intelectual e a necessidade de maior integração entre desenvolvimento tecnológico e regulação.
Competitividade e internacionalização
A agenda internacional ganhou destaque com a apresentação do projeto Brazilian Pharma & Health (BPH). Norberto Prestes e Helena Faccioli, da Abiquifi, e Viviane Iark, da ApexBrasil, apresentaram as iniciativas voltadas à abertura de mercados e à ampliação da presença da indústria brasileira no exterior.
Abiquifi e ApexBrasil renovaram, em março deste ano, a parceria para o período 2026-2028. O projeto tem como eixos o aumento das exportações de produtos brasileiros e a atração de investimentos para o país.
No segmento de saúde animal, a agenda prevê o fortalecimento das ações internacionais e a ampliação da presença e da expertise das empresas brasileiras no mercado global.
Durante a mesma sessão, Faccioli apresentou o BCO Vet, ferramenta desenvolvida em conjunto pela Abiquifi e pelo Instituto Farma de Governança Operacional. A iniciativa busca contribuir para a comparação de desempenho operacional entre empresas do segmento, enfrentando um dos gargalos identificados no mercado.
Inovação radical e novos negócios
Os debates também trouxeram exemplos de inovação radical aplicados à saúde animal. Gabriela Cezar, CEO da Vettiva Saúde Animal, e Vagner Vidal Magalhães, vice-presidente de Operações da Chemyunion, apresentaram experiências de suas empresas e discutiram como novas abordagens podem contribuir para o desenvolvimento de produtos e tecnologias para o setor.
Financiamento para projetos de inovação
O acesso a recursos para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação foi outro dos temas centrais do primeiro dia. Julieta Palmeira, gerente do escritório de Brasília da Finep/MCTI, e Emerson Fonseca, pesquisador e gerente de Projetos da Embrapii/Farmavax, apresentaram mecanismos e oportunidades de financiamento para transformar projetos de inovação em iniciativas concretas.
Para um setor que demanda investimentos elevados e ciclos longos de desenvolvimento, o acesso a instrumentos de fomento é considerado um componente relevante para ampliar a capacidade tecnológica e a competitividade da indústria brasileira.
Propriedade intelectual como estratégia
A proteção da propriedade intelectual também esteve entre os assuntos abordados. Sérgio Bernardo, coordenador-geral de Patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e Alex Gonçalves de Almeida, sócio da Magellan IP, discutiram a importância de mecanismos de proteção para assegurar os investimentos realizados em pesquisa e desenvolvimento.
A discussão destacou a relação entre propriedade intelectual, segurança jurídica e estímulo à inovação, especialmente em um ambiente no qual empresas, pesquisadores e investidores precisam proteger ativos tecnológicos e resultados de pesquisa.
Desenvolvimento e regulação mais próximos
Encerrando a programação do primeiro dia, Philippe Brianceau, presidente da ACI Brasil, conduziu o painel “O que ganhamos quando desenvolvimento e regulação caminham juntos – Do conceito ao registro”.
A discussão mostrou como o planejamento regulatório desde as primeiras etapas do desenvolvimento de um produto veterinário pode contribuir para reduzir riscos, antecipar exigências e aumentar a eficiência do processo de registro.
Entre os temas apresentados estiveram planos de desenvolvimento de produtos veterinários, perfil do produto e estratégia regulatória, além dos potenciais ganhos de uma atuação coordenada para patrocinadores e para o próprio MAPA.
Com patrocínio de Boehringer Ingelheim, Elanco, MSD e Farmabase, o workshop reforça a agenda de inovação e modernização regulatória da saúde animal no Brasil. A iniciativa também coloca em evidência desafios que envolvem toda a cadeia de proteína animal, especialmente diante da necessidade de desenvolver novas soluções para manter a produtividade, a sanidade dos rebanhos e a competitividade da produção brasileira nos mercados nacional e internacional.



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