O período da Quaresma costuma impulsionar o consumo de pescado em todo o Brasil. Dados do Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura, do Ministério da Pesca e Aquicultura, indicam que cada brasileiro consome, em média, 9,5 quilos de peixe por ano. Entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Semana Santa, quando parte da população reduz o consumo de carne vermelha, a procura por pescado pode crescer até 40%.
Com o aumento da demanda, a produção nas pisciculturas também se intensifica. Esse movimento exige atenção redobrada dos produtores, principalmente em relação às boas práticas de manejo e ao controle sanitário. O objetivo é garantir que o crescimento da oferta seja acompanhado por condições adequadas de produção.
A intensificação da atividade costuma significar maior densidade de peixes nos viveiros, aumento na oferta de ração e mais movimentação no sistema produtivo. Esses fatores podem pressionar o ambiente de cultivo, favorecendo situações de estresse nos animais e alterações na qualidade da água.
De acordo com Cleber Daniel Almeida, consultor técnico comercial da área de nutrição e saúde animal, medidas de biossegurança são essenciais nesse cenário. “É preciso reforçar a biossegurança, controlar o acesso de pessoas e equipamentos, planejar bem a densidade de peixes e monitorar a qualidade da água diariamente, principalmente ao amanhecer, quando os níveis de oxigênio costumam estar mais baixos”, explica.

O comportamento dos peixes também pode indicar problemas no ambiente de cultivo. Quando os animais passam a subir com frequência à superfície, nadam de forma desordenada, reduzem o consumo de ração ou ocorre aumento repentino de mortalidade, o produtor deve investigar possíveis desequilíbrios no sistema.
Entre as enfermidades mais comuns nesses períodos estão infecções bacterianas, que tendem a se disseminar com mais facilidade quando os peixes estão sob estresse ou quando a qualidade da água não está adequada. Além de afetar a saúde dos animais, esses fatores podem comprometer o desempenho produtivo.
Segundo o especialista, o impacto pode ser percebido ao longo de todo o ciclo. “Um animal que passou por estresse ou enfrentou alguma doença pode ter pior rendimento e qualidade. Isso afeta desde o crescimento até a firmeza da carne depois do abate”, afirma.
Por isso, o acompanhamento diário dos parâmetros da água, o controle adequado da densidade de estocagem e a oferta de alimentação equilibrada para cada fase do cultivo são práticas recomendadas. O monitoramento constante e a orientação técnica ajudam o produtor a manter a sanidade dos peixes e garantir um produto de qualidade ao consumidor.
Fonte: análises de especialistas e dados do setor, adaptado pela equipe Feed&Food
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