O Brasil intensifica movimentos diplomáticos e comerciais para ampliar a presença do agronegócio no mercado indiano. A estratégia busca posicionar a Índia como um novo parceiro relevante para as exportações do setor, em um esforço de diversificação que reduz a dependência do mercado chinês.
Enquanto o país celebrava o Carnaval, a diplomacia econômica brasileira direcionava esforços para Nova Délhi em uma das maiores missões de abertura de mercados realizadas recentemente. A iniciativa tem como objetivo fortalecer relações comerciais e ampliar oportunidades para produtos agropecuários e tecnologias agrícolas brasileiras.
Com uma população estimada em 1,44 bilhão de habitantes e uma classe média urbana superior a 350 milhões de pessoas, a Índia apresenta um mercado em expansão para alimentos e proteínas. O crescimento do poder de compra e a urbanização acelerada têm ampliado a demanda por produtos de maior valor agregado.
Segundo Tiago Costa, professor de agronomia e especialista em agronegócio, o cenário cria oportunidades relevantes para o setor brasileiro. “A Índia mantém uma classe média urbana em crescimento e uma demanda crescente por proteínas e produtos premium. Essa combinação faz com que o agronegócio brasileiro enxergue o mercado indiano como uma oportunidade estratégica”, afirma.
Diversificação estratégica
A aproximação com a Índia também é vista como uma forma de reduzir a dependência de um único mercado. Em 2025, a China respondeu por cerca de 40% das exportações do agronegócio brasileiro, consolidando-se como principal destino dos produtos do setor.
A experiência comercial com os chineses demonstrou a importância da diplomacia econômica, da adaptação de produtos às exigências culturais e da superação de barreiras sanitárias. Essas lições agora passam a orientar as estratégias voltadas para o mercado indiano.
Para Costa, a diversificação é essencial para aumentar a segurança do setor. “A dependência excessiva de um único mercado gera vulnerabilidades. Episódios como suspensões temporárias de importações podem provocar quedas expressivas nos embarques. Ampliar parcerias com países emergentes ajuda a reduzir esses riscos”, explica.

Potencial para novos produtos
Atualmente, produtos como óleo de soja, açúcar e algodão lideram a pauta de exportações brasileiras para a Índia. No entanto, há potencial para ampliar a presença de itens de maior valor agregado.
A carne de frango, por exemplo, registrou crescimento de 21% nas exportações para o país em 2025, alcançando cerca de US$ 85 milhões. O café brasileiro também tem ampliado presença, superando US$ 38 milhões em vendas.
Além disso, frutas tropicais como manga e melão começam a conquistar espaço entre consumidores urbanos indianos, especialmente entre os mais jovens.
Barreiras ainda desafiam expansão
Apesar do potencial, o acesso ao mercado indiano envolve desafios relevantes. O país adota políticas comerciais protecionistas, com tarifas de importação que podem chegar a 35% para carnes, além de exigências sanitárias e fitossanitárias rigorosas.
Outro ponto de atenção está na logística. O transporte marítimo entre o porto de Santos e Mumbai pode levar cerca de 28 dias, o que exige planejamento e estrutura adequada para garantir competitividade.
Perspectivas para a próxima década
Mesmo diante desses obstáculos, especialistas avaliam que a parceria entre Brasil e Índia tende a se fortalecer nos próximos anos.
Estimativas do Ministério da Agricultura indicam que o mercado indiano poderá representar cerca de 8% das exportações do agronegócio brasileiro até 2030, movimentando aproximadamente US$ 9 bilhões por ano.
Para Costa, o avanço dessa relação pode trazer benefícios amplos para o setor. “A expansão das relações comerciais com a Índia pode estimular inovação, fortalecer a presença internacional do agronegócio brasileiro e contribuir para o crescimento sustentável da economia do setor”, conclui.
Fonte: análises de especialistas e dados do setor, adaptado pela equipe Feed&Food
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