A produção brasileira de carne de frango deve alcançar 15,945 milhões de toneladas em 2027, avanço de 0,29% sobre as 15,898 milhões de toneladas estimadas para 2026, segundo projeção da Safras & Mercado. O crescimento mais contido indica uma tentativa de equilibrar a oferta interna após um período de expansão mais intensa.
De acordo com o analista Fernando Iglesias, o setor tende a trabalhar com um ajuste maior entre produção, exportações e disponibilidade doméstica. A expectativa é de que os embarques avancem 1,60% em 2027, passando de 5,614 milhões para 5,704 milhões de toneladas.
Mercado interno deve encolher
Com o aumento das exportações acima do ritmo da produção, a disponibilidade interna deve recuar 0,42% em 2027. O volume projetado para o mercado brasileiro é de 10,240 milhões de toneladas, ante 10,284 milhões neste ano. Esse movimento pode ajudar a reduzir a pressão da oferta e dar maior sustentação às cotações.
O cenário atual também favorece a rentabilidade da avicultura. Dados da Consultoria Agro Itaú BBA mostram que as exportações de carne de frango in natura e industrializada somaram 497 mil toneladas em maio, alta de 30,8% frente ao mesmo mês de 2025. A comparação, porém, é influenciada pelos efeitos do caso de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul no ano passado.

Exportações sustentam margens
Nos cinco primeiros meses de 2026, os embarques cresceram 9% na comparação anual. Mesmo com as incertezas no Oriente Médio, destino de quase 30% das exportações brasileiras, houve aumento das vendas para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O spread das exportações permaneceu em 44%, acima da média de 38% dos últimos cinco anos.
No mercado doméstico, o preço da ave abatida em São Paulo subiu 2,4% em maio, enquanto os custos de produção recuaram 0,7%. Com isso, o spread interno chegou a 37%, dois pontos percentuais acima do mês anterior e ligeiramente superior à média histórica.
Oferta ainda limita preços
Dados preliminares do IBGE indicam que o abate de frangos cresceu 3,7% no primeiro trimestre de 2026, acompanhado por aumento de 3,2% no peso médio das carcaças. O resultado foi uma expansão de 7% na produção no período.
Apesar desse crescimento, a carne de frango segue competitiva frente à bovina. Em maio, os preços no atacado estavam cerca de 13% abaixo dos registrados um ano antes, enquanto o dianteiro bovino acumulava alta aproximada de 15%.





