Brasil e Noruega se enfrentam neste domingo (5), às 17h, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Fora de campo, os países estão ligados pelo Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado também por Suíça, Islândia e Liechtenstein.
Brasil conclui ratificação
O tratado foi assinado em setembro de 2025. No Brasil, recebeu aprovação da Câmara e do Senado e originou o Decreto Legislativo nº 146. Em 30 de junho, o governo brasileiro protocolou o instrumento de ratificação, concluindo a etapa nacional necessária para a aplicação do acordo.
A entrada em vigor ocorrerá de forma bilateral entre os países que tiverem depositado seus instrumentos. Até a nota oficial divulgada em 2 de julho, a Islândia era o integrante da EFTA que já havia ratificado o texto. Assim, os benefícios nas relações com a Noruega ainda dependem da ratificação norueguesa e do prazo previsto no tratado.
O acordo prevê isenção tarifária para aproximadamente 97% das transações entre Brasil e EFTA. Considerando produtos agrícolas e industriais, quase 99% do valor exportado pelo Brasil ao bloco poderá acessar esses mercados em condições de livre comércio.

Proteínas ganham oportunidades
Para o agronegócio, a Noruega está entre os países que oferecerão cotas ou preferências para carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais. O texto também estabelece listas sanitárias prévias, regionalização para produtos de origem animal e cooperação entre autoridades dos dois blocos.
Esses mecanismos podem simplificar habilitações e reduzir incertezas regulatórias, mas não dispensam requisitos de qualidade, rastreabilidade e sanidade. O aproveitamento das oportunidades dependerá da adequação dos exportadores, da competitividade logística e do cumprimento das regras aplicadas pelo mercado norueguês.
Comércio já movimenta cifras bilionárias
Até maio de 2026, as exportações brasileiras para a Noruega ultrapassaram US$ 664 milhões em matérias-primas não comestíveis, US$ 126 milhões em combustíveis minerais, US$ 80 milhões em máquinas e equipamentos de transporte e US$ 55 milhões em alimentos e animais vivos.
Segundo Frederico Favacho, sócio de agronegócios e contratos do Santos Neto Advogados, regras comuns oferecem maior previsibilidade às empresas. “A Noruega é um parceiro comercial consistente, e o acordo Mercosul–EFTA ajuda a transformar essa relação em algo ainda mais estruturado”, afirma.
A corrente comercial entre Brasil e os quatro países da EFTA somou US$ 7,8 bilhões em 2025, com US$ 3,8 bilhões em exportações brasileiras. Enquanto as seleções disputam uma vaga nas quartas de final, o acordo abre uma rota de diversificação para mercados de alta renda, embora seus efeitos dependam da vigência bilateral com cada integrante.





