Uma transição completa da produção de ovos do Reino Unido para sistemas orgânicos com acesso ao ar livre poderia elevar em 60% as emissões de gases de efeito estufa e quase dobrar a ocupação de terras. A conclusão é de um estudo publicado na Royal Society Open Science por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo a Universidade de Oxford.
Os pesquisadores modelaram diferentes cenários para a cadeia britânica, considerando sistemas em gaiolas enriquecidas, galpões, criação ao ar livre e produção orgânica, mantendo constante o volume total de ovos produzido.
Eficiência alimentar influencia resultado
No cenário baseado na composição atual da produção, as emissões foram estimadas em 1,439 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Um sistema integralmente orgânico alcançaria 2,316 milhões de toneladas, enquanto um modelo totalmente baseado em gaiolas registraria 1,184 milhão.
Segundo o estudo, parte da diferença está ligada à eficiência alimentar. Sistemas sem gaiolas podem demandar mais aves e maior quantidade de ração para produzir o mesmo volume de ovos. Como a alimentação representa parcela importante da pegada ambiental, essa diferença influencia emissões, uso da terra, acidificação e eutrofização.

Os autores ressaltam, entretanto, que os resultados não representam uma defesa do retorno às gaiolas. A proposta é mostrar que bem-estar animal, produtividade e impactos ambientais precisam ser avaliados conjuntamente nas futuras mudanças da produção.
Dados antigos são limitação do estudo
A análise utilizou informações coletadas em 2009 e 2010, consideradas pelos pesquisadores o conjunto mais completo disponível para comparar todos os sistemas britânicos, mas que não refletem necessariamente os avanços produtivos mais recentes.
O estudo também não avaliou fatores como biodiversidade e toxicidade de pesticidas, aspectos nos quais sistemas orgânicos podem apresentar resultados diferentes.
Dados da BFREPA mostram que a transição observada atualmente no Reino Unido ocorre principalmente para sistemas ao ar livre e em galpões. Em julho de 2026, 78% das aves estavam em sistemas free-range, enquanto a produção orgânica representava cerca de 4% do plantel.



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