Entidades do setor agropecuário do Reino Unido demonstram preocupação com um possível aumento das importações de carne de frango brasileira após a União Europeia restringir, em 3 de setembro, a entrada de produtos de origem animal do Brasil. A National Farmers’ Union (NFU) e outras organizações pedem que o governo britânico adote medidas semelhantes às aplicadas pelo bloco europeu.
A restrição europeia está relacionada às novas regras sobre uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. A União Europeia exige garantias de que substâncias reservadas à medicina humana não sejam utilizadas e proíbe antimicrobianos destinados à promoção de crescimento ou aumento de rendimento.
Entidades temem redirecionamento de oferta
As organizações britânicas argumentam que parte do frango anteriormente destinado à União Europeia poderia ser redirecionada para a Grã-Bretanha, ampliando a concorrência e pressionando produtores locais. Segundo a NFU, o Brasil forneceu cerca de 211 mil toneladas de carne de aves ao bloco europeu em 2025. A entidade também pede auditorias nos sistemas brasileiros de produção e rastreabilidade e maior fiscalização das importações.

O governo britânico, porém, apresenta uma avaliação mais cautelosa. Em resposta ao Parlamento em 11 de setembro, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) informou que não considera provável um desvio significativo de carne brasileira para o país com base nas evidências disponíveis. Em 2025, o Brasil respondeu por 1,5% da oferta britânica de carne de aves, desconsiderando produtos processados.
Reino Unido prepara avaliação
Em nova manifestação, divulgada em 18 de setembro, o Defra informou que analisa os sistemas brasileiros para verificar o cumprimento das regras britânicas sobre antimicrobianos. O processo deverá incluir uma auditoria no Brasil, enquanto possíveis restrições comerciais permanecem em avaliação.
Paralelamente, o Brasil busca recuperar o acesso ao mercado europeu. O Mapa informou que uma auditoria concluída em setembro apresentou avaliação satisfatória para aves e mel, mas a Comissão Europeia ainda precisa concluir seu relatório e o processo regulatório antes de eventual reinclusão do país.



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