A maior oferta de carne suína no Brasil pressionou preços e margens dos produtores em agosto. Segundo o Agro Mensal de setembro do Itaú BBA, o preço médio do suíno vivo, ponderado entre a Região Sul e Minas Gerais, caiu para R$ 4,78 por quilo, enquanto o custo estimado de terminação ficou próximo de R$ 6,30 por quilo. A diferença levou a um prejuízo estimado de R$ 180 por animal.
O spread da atividade recuou para -32%, ante -19% em julho e resultado positivo de 27% em agosto de 2025. No atacado paulista, a meia carcaça suína teve média de R$ 7,27 por quilo, queda de 10,6% no mês e de 43% na comparação anual.
Produção cresce acima dos abates
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam o aumento da oferta. No segundo trimestre, foram abatidos 15,58 milhões de suínos, crescimento de 3,2% frente ao mesmo período de 2025. O peso das carcaças avançou 4,8%, para 1,49 milhão de toneladas, indicando que a produção de carne cresceu em ritmo superior ao dos abates.

Segundo o Itaú BBA, a disponibilidade doméstica aumentou 5,4%. Mesmo com o avanço das vendas externas, o crescimento não foi suficiente para absorver integralmente a oferta adicional. Em agosto, a ABPA registrou 131,1 mil toneladas exportadas, alta de 8%. De janeiro a agosto, os embarques chegaram a 1,057 milhão de toneladas, crescimento de 8,9%.
Oferta deve seguir elevada
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 5,93 milhões de toneladas de carne suína em 2026, alta de 4,79%, com 1,58 milhão de toneladas destinadas às exportações e disponibilidade interna de 4,36 milhões. Para 2027, a produção pode crescer mais 3,7%, para 6,15 milhões de toneladas, enquanto a disponibilidade doméstica deve atingir 4,52 milhões.
“Para 2027, o reequilíbrio da cadeia deverá exigir moderação no crescimento dos alojamentos e continuidade da expansão dos mercados externos”, afirma a Conab. A companhia avalia que a oferta elevada pode persistir durante parte do próximo ano.



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