Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Raça de origem indiana, o Nelore encontrou no Brasil um ambiente ideal para se desenvolver e se tornar protagonista da pecuária de corte. Celebrado no dia 17 de julho, o Dia do Nelore homenageia essa trajetória de adaptação, melhoramento genético e contribuição econômica que a raça tem proporcionado ao setor agropecuário.
Com mais de 80% do rebanho nacional de corte composto por animais Nelore ou cruzados com a raça, segundo a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), o zebuíno é hoje o pilar da produção de carne bovina brasileira. Sua rusticidade, fertilidade, longevidade e eficiência alimentar o tornam altamente adaptado às condições tropicais e aos diferentes sistemas de produção, desde o pasto extensivo ao confinamento tecnificado.
Contribuição genética e econômica
O melhoramento genético é um dos marcos mais importantes na evolução do Nelore no Brasil. De um animal rústico importado da Índia em pequenas levas no final do século XIX e início do XX, o Nelore passou a ser intensivamente selecionado por características como ganho de peso, precocidade sexual, qualidade de carcaça e eficiência alimentar.
Esse esforço de seleção levou o Brasil a se tornar referência mundial em genética zebuína. Programas como o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos) e os leilões de elite movimentam milhões de reais anualmente, fomentando não apenas o avanço genético, mas também a valorização do Nelore como ativo econômico.
Segundo dados do Cepea, o valor da arroba do boi gordo segue diretamente influenciado pelo desempenho dos animais Nelore. Além disso, a raça é majoritária nas exportações brasileiras de carne in natura — em 2024, o Brasil embarcou cerca de 2,4 milhões de toneladas, com os principais destinos sendo China, Emirados Árabes, Egito e Chile.

História e tradição
O Dia do Nelore foi instituído pela ACNB para valorizar a história e o impacto da raça no agronegócio. A data escolhida, 17 de julho, remete aos dois primeiros Registros Genealógicos Definitivos no mundo de um macho (Pan) e de uma fêmea (Guanabara), ocorridos em 17 de julho de 1938, durante a VII Exposição Nacional de Animais e de Produtos Derivados, em Belo Horizonte (MG).
Para o presidente da associação, Victor Paulo Silva Miranda, “O Nelore é patrimônio da pecuária brasileira, paraguaia e mundial. Estabelecer uma data para homenagear a raça mundialmente é uma forma de reconhecer o seu protagonismo e fortalecer a identidade dos neloristas. É com muita alegria que acolhemos a proposta e a responsabilidade de liderar esse movimento ao lado de nossos parceiros paraguaios. , destaca Victor Miranda.
”.
Sustentabilidade e inovação
Nos últimos anos, o Nelore também tem sido associado ao avanço da pecuária sustentável. Animais mais produtivos em sistemas bem manejados permitem reduzir a emissão de carbono por quilo de carne produzida. Além disso, tecnologias como avaliação genômica, inteligência artificial e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) vêm sendo adotadas por criadores da raça para aumentar a eficiência produtiva e ambiental.
Nelore como símbolo da pecuária brasileira
Com vocação para os trópicos e genética cada vez mais precisa, o Nelore seguirá como símbolo da pecuária brasileira por muitos anos. No Dia do Nelore, o país celebra mais do que uma raça: celebra uma cultura, uma tradição e um futuro que une inovação e respeito à produção animal.
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