Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O consumo global de alimentos de origem animal deve continuar em trajetória de alta até 2034, impulsionado principalmente pelo crescimento populacional, pelo aumento da renda e pela urbanização em países em desenvolvimento. É o que mostra o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2025-2034, divulgado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o documento, as economias emergentes liderarão a expansão tanto do consumo quanto da produção de proteínas animais, com impactos relevantes sobre segurança alimentar, sustentabilidade e comércio internacional.
De acordo com o relatório, o consumo per capita global de calorias provenientes de alimentos de origem animal (como carne, leite, ovos e pescado) deve crescer 6% ao longo da próxima década. O destaque, no entanto, está nos países de renda média-baixa, onde o avanço pode chegar a 24%, alcançando uma média diária de 364 kcal por pessoa. Esse crescimento reflete não apenas o aumento populacional nessas regiões, mas também a mudança de hábitos alimentares associada à urbanização e à melhora do poder de compra.
Consumo de alimentos de origem animal em países de baixa renda ainda permanecerá aquém do recomendado
Apesar dos avanços, o consumo em países de baixa renda ainda permanecerá aquém do recomendado. A ingestão média diária prevista nessas regiões é de 143 kcal de alimentos de origem animal, número bem abaixo das 300 kcal indicadas pela própria FAO como parte de uma dieta saudável. Essa disparidade ressalta a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão nutricional e ao acesso a alimentos ricos em proteína, especialmente entre as populações mais vulneráveis.

No campo da produção, o relatório estima um aumento global de 14% na oferta de produtos agrícolas e pesqueiros até 2034. Esse crescimento será liderado pelas economias em desenvolvimento, que devem registrar os maiores ganhos de produtividade. Especificamente na produção de alimentos de origem animal, espera-se uma expansão de 17%, com destaque para carne, leite e ovos. Curiosamente, esse incremento ocorrerá com um aumento relativamente modesto de 7% no número total de animais de produção, indicando ganhos de eficiência e uso de tecnologias que aumentam a produtividade por animal.
Em contrapartida, o crescimento da produção trará consigo um aumento de 6% nas emissões diretas de gases de efeito estufa associadas à agricultura e pecuária. No entanto, a intensidade de emissões por unidade produzida deve continuar em queda, sinalizando avanços em práticas mais sustentáveis. O relatório ressalta que a adoção mais ampla de tecnologias de baixa emissão — como manejo de nutrientes, pastagens melhoradas, agricultura de precisão e compostagem — pode reverter essa tendência e até reduzir as emissões em termos absolutos.
Um dos cenários estudados pela FAO e pela OCDE mostra que, se for possível ampliar a produtividade agrícola global em 15% por meio de inovação e investimento, e ao mesmo tempo aplicar medidas eficazes de redução de emissões, seria possível eliminar a subnutrição no mundo até 2034. Além disso, esse mesmo cenário levaria a uma redução de 7% nas emissões do setor agropecuário em relação aos níveis atuais, demonstrando que é viável crescer de forma mais justa e sustentável.
Outro ponto de atenção do estudo é o impacto desse novo panorama sobre o comércio internacional. Atualmente, cerca de 22% das calorias consumidas no mundo provêm de alimentos comercializados internacionalmente. Esse número tende a se manter estável até 2034, reforçando a importância de um sistema multilateral de comércio agrícola baseado em regras claras e transparentes. Ao mesmo tempo, os ganhos de produtividade que pressionarão os preços para baixo podem beneficiar consumidores, mas representar um desafio adicional para pequenos produtores, que já enfrentam margens apertadas e alta volatilidade no mercado.
Diante desse cenário, o relatório faz um chamado a formuladores de políticas públicas e agentes privados: é essencial manter os mercados abertos, investir em inovação tecnológica no campo, apoiar os pequenos produtores e acelerar a transição para práticas produtivas sustentáveis. Com planejamento, cooperação internacional e apoio técnico, é possível responder à crescente demanda por alimentos de origem animal sem comprometer o meio ambiente ou a segurança alimentar das gerações futuras.
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