A Bacia de Santos, localizada entre o Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Florianópolis (Santa Catarina), é uma das regiões mais estratégicas do país, não apenas por abrigar o maior porto da América Latina e mais de 70% da produção nacional de petróleo, mas também por concentrar a principal atividade pesqueira do Brasil. Com o objetivo de entender melhor a diversidade de peixes e contribuir para o uso sustentável dos recursos marinhos, pesquisadores realizaram um amplo estudo sobre a ictiofauna local.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito do “Projeto de Caracterização Regional da Bacia de Santos: Caracterização Química e Biológica do Sistema Pelágico”, coordenado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), com participação de outras cinco instituições de pesquisa, incluindo o Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A iniciativa reuniu dados sobre espécies de peixes marinhos e estuarinos, ciclos de vida, reprodução, mortalidade e estado de conservação, além de informações detalhadas sobre a atividade pesqueira na região. O resultado é um banco de dados relacional e espacial com informações georreferenciadas, obtidas a partir de levantamentos bibliográficos e programas de monitoramento da pesca nos estados de SC, PR, SP e RJ.

Panorama amplo
Ao todo, o estudo registrou 2.081 publicações científicas, que indicaram 1.186 táxons ictíicos, sendo 81% identificados no nível de espécie. As espécies pertencem a 961 espécies distintas, 555 gêneros, 211 famílias, 69 ordens e 4 classes taxonômicas.
Na área pesqueira, a média anual de desembarque de peixes marinhos foi estimada em 150 mil toneladas, com destaque para a pesca artesanal, que respondeu por 29% desse volume. Santa Catarina lidera entre os estados da Bacia, sendo responsável por cerca de 60% das descargas. As capturas mais expressivas envolvem sardinhas e tainhas, pescadas com redes de cerco, e corvina e pescadas, com redes de emalhe.
A análise populacional envolveu mais de 15 mil espécimes, incluindo coletas biológicas de gônadas e estruturas rígidas para avaliar crescimento e reprodução. Espécies como o bagre-branco (Genidens barbus) e a corvina (Micropogonias furnieri) foram foco das análises mais completas, por seu valor comercial e importância ecológica.
De acordo com Antônio Olinto Ávila da Silva, pesquisador do IP e responsável pelo estudo, “o trabalho propiciou a consolidação de informações e a atualização dos parâmetros populacionais de espécies importantes tanto para a conservação quanto para a atividade pesqueira, como o bagre e a corvina, além da indicação sobre como as frotas atuam sobre os estoques dessas espécies”.
As informações geradas fornecem subsídios fundamentais para o ordenamento pesqueiro e o planejamento espacial marinho, possibilitando uma gestão mais eficaz dos estoques e contribuindo para políticas públicas voltadas à sustentabilidade da pesca e à conservação da biodiversidade marinha.
Fonte: Instituto de Pesca, adaptado pela equipe FeedFood
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