Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O governo do Kuwait anunciou a retomada das importações de carne de frango do Brasil após suspender, neste domingo (20), a proibição que havia sido imposta ao produto brasileiro em maio. A decisão ocorre em paralelo à ampliação da restrição à carne de aves dos Estados Unidos, que passa a abranger todas as formas do produto não pasteurizado, devido a novos focos de gripe aviária detectados em território norte-americano.
A suspensão das compras do frango brasileiro havia sido determinada após a confirmação de um caso de influenza aviária em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. No entanto, com a rápida contenção do foco e o período de 28 dias sem novos registros da doença, o Brasil voltou a ser considerado livre de gripe aviária. A Autoridade Pública de Alimentação e Nutrição do Kuwait, órgão responsável pelas decisões sanitárias do país, deliberou pelo fim da restrição com base nas atualizações das autoridades brasileiras e nas regras internacionais de biosseguridade.
Enquanto isso, os Estados Unidos passam a enfrentar uma nova série de proibições, agora impostas pelo próprio Kuwait. Segundo o comitê kuwaitiano, estão proibidas as importações de carne de frango, resfriada, congelada, processada ou derivada de regiões afetadas dos EUA. A única exceção é para produtos devidamente pasteurizados a 70 °C, considerados seguros para consumo.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Kuwait foi, em 2024, o sétimo maior destino da carne de frango brasileira, com importações que somaram US$ 304 milhões, o equivalente a 3,3% das exportações totais do setor. A retomada do mercado kuwaitiano é vista com otimismo pelo setor exportador e reforça a confiança internacional na vigilância sanitária brasileira.
Além do Kuwait, outros países vêm flexibilizando as restrições impostas ao Brasil após a notificação do foco isolado no Sul. A Coreia do Sul e o Iraque também já retomaram a compra de produtos avícolas brasileiros nas últimas semanas.
A medida kuwaitiana ainda evidencia os desafios enfrentados pelos Estados Unidos, onde surtos de gripe aviária continuam sendo registrados em diversas regiões. A proibição imposta por países importadores pode causar impactos diretos sobre os exportadores norte-americanos, afetando inclusive a competitividade dos produtos no mercado internacional.
Com o novo cenário, o Brasil retoma uma posição estratégica no fornecimento de proteína animal ao Oriente Médio, região que valoriza elevados padrões sanitários e possui forte dependência de produtos importados. A expectativa é de que a reabertura do mercado kuwaitiano fortaleça o desempenho das exportações brasileiras ao longo do segundo semestre.
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