Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de proteínas animais enfrenta uma semana marcada por desvalorização nos preços do boi gordo e do suíno vivo. A retração ocorre em meio à combinação de consumo interno ainda enfraquecido, margens pressionadas e incertezas no cenário internacional, principalmente após o anúncio dos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas às carnes brasileiras.
Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, os preços da arroba do boi gordo voltaram a cair nos últimos dias, refletindo a lentidão das negociações no mercado interno. A fraca movimentação nos frigoríficos e no atacado tem limitado o poder de barganha dos pecuaristas, especialmente em um momento de oferta relativamente alta de animais terminados.
O recente anúncio do governo norte-americano sobre a criação de barreiras tarifárias à carne brasileira, embora ainda sem muitos detalhes práticos, acentuou o clima de insegurança entre os agentes do setor. A medida, que seria uma resposta à política comercial adotada pelo Brasil em outros setores, como o aço, trouxe volatilidade ao mercado e tem sido apontada como fator que agrava o desaquecimento nas vendas.
Apesar de a maior parte da produção de carne bovina do Brasil seguir voltada para o consumo doméstico, o mercado internacional exerce forte influência sobre as expectativas de preços, especialmente em estados exportadores como Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Assim, mesmo antes da efetiva aplicação da tarifa, o setor já reage de forma defensiva, reduzindo a demanda por novos lotes no campo.

Demanda enfraquecida também afeta preços na suinocultura
No setor de suínos, o movimento de baixa nos preços também foi registrado pelo Cepea nos principais estados produtores. A oferta de animais prontos para abate se mantém estável, mas o ritmo de compra por parte dos frigoríficos desacelerou. Segundo agentes consultados, o consumo no atacado e no varejo continua abaixo do esperado para o período, dificultando o repasse de preços ao longo da cadeia.
Em muitas praças, suinocultores estão encontrando dificuldades para manter a rentabilidade diante da queda nas cotações, que ocorre ao mesmo tempo em que os custos com nutrição e manutenção do plantel seguem elevados. Em algumas regiões, os preços pagos pelo quilo do suíno vivo se aproximam dos patamares observados no primeiro trimestre do ano, quando a sazonalidade do consumo é tradicionalmente mais fraca.
A frustração com a demanda doméstica também atinge os frigoríficos exportadores. Ainda que o Brasil mantenha bom desempenho nas exportações de carne suína, sobretudo para mercados asiáticos, as oscilações no câmbio e incertezas logísticas têm limitado o ímpeto das indústrias em operar com força total. Isso se reflete em menor volume de compras junto aos produtores independentes.
Com o escoamento lento e os estoques elevados, a tendência é de que os preços sigam pressionados nos próximos dias. Representantes do setor esperam alguma reação do consumo com a chegada da segunda quinzena do mês, período em que tradicionalmente há aumento na circulação de renda e maior procura por proteínas mais acessíveis como a carne suína.
Diante de um ambiente marcado por incertezas comerciais e consumo interno fraco, os produtores de bovinos e suínos precisarão adotar uma postura estratégica nas próximas semanas. A gestão do risco, seja por meio de contratos antecipados, diversificação de canais de comercialização ou controle mais rigoroso de custos, se mostra essencial para mitigar os impactos da atual conjuntura.
As lideranças do setor acompanham de perto os desdobramentos das medidas anunciadas pelos Estados Unidos e buscam articulação com o governo federal para garantir a previsibilidade do ambiente de negócios. No curto prazo, no entanto, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços, com pouco espaço para recuperação significativa enquanto o consumo interno não reagir de forma consistente.
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