A confirmação de casos de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Rio Grande do Sul acendeu o alerta no setor avícola brasileiro. O país, maior exportador mundial de carne de frango, enfrenta suspensões de compras por importantes parceiros comerciais como China, Japão, União Europeia e Argentina. O governo já estima que, caso a crise se agrave, entre 50 mil e 100 mil toneladas de carne de frango poderão deixar de ser comercializadas, gerando perdas superiores a R$ 1 bilhão.
Para conter o avanço do vírus, o Ministério da Agricultura segue o protocolo internacional de erradicação, que inclui abate sanitário, descarte de ovos suspeitos e rastreamento dos lotes. A aposta do governo é na regionalização da comercialização – direcionando as vendas para estados não afetados – e na esperança de que, sem novos registros, o Brasil possa se declarar livre da doença em até 28 dias.
O cenário evidencia a vulnerabilidade da cadeia produtiva, segundo especialistas. Andre Paranhos, vice-presidente da consultoria Falconi no setor do agronegócio, afirma que mesmo setores altamente profissionalizados como a avicultura estão sujeitos a riscos sanitários, climáticos e econômicos. “Crises como esta mostram que improviso não pode ser a base da gestão. A preparação é essencial para a sustentabilidade das operações”, destaca.
Andre Paranhos defende uma abordagem estruturada de gestão de riscos, que inclui mapeamento de vulnerabilidades, planos de contingência claros, investimentos em tecnologia e capacitação contínua das equipes. Ele alerta que o setor precisa evitar os “três Ds”: descuido, desleixo e desconhecimento.

Entre as soluções apontadas estão o uso de ferramentas de rastreabilidade, sensores ambientais e análise preditiva para antecipar surtos e preservar a produção. Além disso, treinamentos regulares para lideranças e operadores são essenciais para garantir uma resposta ágil e eficaz diante de emergências sanitárias.
O executivo conclui que o agronegócio brasileiro deve encarar a gestão de risco como parte estratégica do negócio. “Quem integrar tecnologia, planejamento e conhecimento humano sairá mais forte das turbulências. O Brasil já é referência em qualidade; agora, precisa ser também em resiliência e inovação”, afirma.
Fonte: Falconi, adaptado pela equipe FeedFood
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