Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de carne de frango apresentou comportamentos distintos entre as regiões brasileiras ao longo de abril de 2025. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as cotações do frango vivo e abatido subiram em São Paulo, sustentadas por uma combinação de fatores que incluiu o aumento da demanda no atacado, o menor número de dias úteis de abate e a oferta mais ajustada da proteína. Em contrapartida, o Sul do País registrou queda nos preços, influenciada por uma menor liquidez nas negociações locais.
Na Grande São Paulo, os valores da carne de frango apresentaram avanço significativo. A média mensal do frango inteiro congelado no atacado atingiu R$ 8,68/kg, o que representa uma alta de 3,6% em relação ao mês anterior. Já o frango inteiro resfriado foi comercializado a R$ 8,72/kg, com valorização de 3,8%. Em São José do Rio Preto (SP), também foram registradas altas de 2,5% para o produto congelado (R$ 8,42/kg) e de 2,3% para o resfriado (R$ 8,49/kg).
Esse movimento de valorização no Sudeste esteve diretamente ligado à redução da oferta no mercado interno. Os feriados do mês — como a Sexta-feira Santa, o Dia de Tiradentes e o Dia do Trabalho — impactaram a programação de abates e geraram um descompasso momentâneo entre oferta e demanda, especialmente nas praças mais aquecidas comercialmente.
Por outro lado, nas regiões Sul, que incluem polos importantes de produção e exportação de carne de frango, as cotações cederam. Em Erechim (RS), o frango inteiro congelado foi vendido, em média, a R$ 10,39/kg, com queda mensal de 3,8%. Em Toledo (PR), a média foi de R$ 10,37/kg, recuo de 1,6% em relação a março. Segundo o Cepea, a menor liquidez nessas localidades contribuiu para o comportamento de baixa, mesmo com o cenário positivo em outras regiões.
No segmento do frango vivo, a valorização foi ainda mais expressiva. A média nacional atingiu R$ 6,20/kg, uma alta de 12,5% em abril. No comparativo com abril de 2024, o avanço é de 25,3%, evidenciando a recuperação dos preços neste elo da cadeia produtiva. Esse aumento também elevou a relação de troca do avicultor frente aos principais insumos da atividade, como milho e farelo de soja, o que pode favorecer o poder de compra e sustentar novos investimentos na produção.

Outro destaque do período foi o desempenho do mercado de pintainhos de corte. A demanda firme por parte de integradoras e o volume restrito de oferta impulsionaram os preços em diversas regiões produtoras. No Paraná, a valorização entre março e abril chegou a 5,6%, com o animal cotado a R$ 2,93 por unidade. A expectativa de maior exportação da carne de frango nos próximos meses também tem estimulado a procura por pintainhos, sinalizando uma possível intensificação da produção nas semanas seguintes.
Apesar do avanço observado em São Paulo e de boas perspectivas no mercado externo, o setor continua atento a variáveis que podem influenciar os preços, como o custo dos grãos e a oscilação cambial. Além disso, há um monitoramento constante sobre a demanda doméstica, que tem mostrado sinais de recuperação em 2025, mas ainda enfrenta desafios no ritmo de consumo por parte das famílias.
Segundo o Cepea, o cenário geral para a cadeia avícola em abril foi de otimismo moderado. A combinação entre demanda aquecida em importantes praças, controle da oferta em algumas regiões e expectativa de crescimento nas exportações deve manter os preços sustentados no curto prazo. No entanto, os agentes do setor seguem cautelosos quanto à volatilidade dos custos de produção e às incertezas do mercado global.
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