A avicultura brasileira manteve em 2025 sua posição de destaque no mercado global de proteína animal, impulsionada pelo avanço das exportações e pela forte demanda interna. Dados consolidados por entidades do setor e órgãos nacionais e internacionais mostram que o Brasil segue como líder mundial nas exportações de carne de frango e amplia sua relevância estratégica no abastecimento global de alimentos.
A produção nacional de carne de frango alcançou 15,289 milhões de toneladas no período, com valor bruto estimado em R$ 112,6 bilhões. Desse total, 5,324 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado externo, o equivalente a 34,82% da produção brasileira.
As exportações alcançaram 153 países e geraram receita de US$ 9,8 bilhões, consolidando o Brasil como maior exportador mundial de carne de frango e terceiro maior produtor global da proteína.
Mercado externo ganha ainda mais relevância
O desempenho das exportações reforça a importância do mercado internacional para a avicultura brasileira. Além do volume embarcado, o setor também ampliou sua presença em mercados considerados estratégicos ao longo de 2025.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o cenário internacional exigiu respostas rápidas e maior coordenação entre setor produtivo e autoridades sanitárias.
“O setor foi chamado a exercer sua responsabilidade institucional diante da segurança alimentar e da confiança construída com a sociedade e com os mercados”, afirmou Santin.
De acordo com ele, o avanço das exportações não ocorreu apenas pelo aumento dos volumes, mas também pela credibilidade construída pela cadeia produtiva brasileira nos últimos anos.
Consumo interno segue sustentando o setor
Mesmo com forte presença internacional, o mercado doméstico continua sendo um dos pilares da avicultura brasileira. O consumo per capita de carne de frango atingiu 46,7 quilos por habitante ao ano, mantendo a proteína entre as mais acessíveis aos consumidores brasileiros.
O setor de ovos também apresentou desempenho expressivo. A produção nacional chegou a 62,3 bilhões de unidades, movimentando cerca de R$ 29,2 bilhões.
As exportações de ovos alcançaram 40,9 mil toneladas para 87 países, gerando receita de US$ 97,2 milhões. Internamente, o consumo médio chegou a 288 unidades por habitante ao ano.
Os números reforçam a consolidação da avicultura como uma das cadeias mais relevantes do agronegócio nacional, combinando escala produtiva, competitividade internacional e forte demanda interna.

Influenza aviária colocou biosseguridade em evidência
Um dos principais desafios enfrentados pelo setor em 2025 ocorreu em maio, quando o Brasil registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial.
O episódio mobilizou autoridades sanitárias, produtores e agroindústrias em uma resposta rápida para conter os impactos sobre o mercado e a produção.
Segundo Santin, o caso evidenciou a capacidade de reação da cadeia produtiva brasileira. “Desafios sanitários não se enfrentam de forma isolada nem com respostas simplificadas. Exigem coordenação, base técnica sólida e respeito às realidades produtivas”, destacou.
Em 34 dias, o Brasil recuperou o status sanitário junto à Organização Mundial de Saúde Animal, mantendo a confiança internacional na produção nacional.
Setor reforça protocolos sanitários e controle de qualidade
Após o episódio, a cadeia produtiva intensificou ainda mais os protocolos de biosseguridade nas granjas e agroindústrias. O setor ampliou ações de monitoramento sanitário, vigilância epidemiológica e controle preventivo nas propriedades. O trabalho ocorre em parceria com o Ministério da Agricultura, serviços veterinários oficiais e empresas do segmento.
Além da biosseguridade, a avicultura brasileira segue submetida a rigorosos padrões de controle de qualidade, supervisionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e auditados por mais de 150 países importadores.
Para o setor, a combinação entre sanidade, rastreabilidade, organização produtiva e capacidade de resposta rápida segue sendo um dos principais diferenciais competitivos da proteína animal brasileira no mercado internacional.
Fonte: ABPA, Mapa, Secex, USDA e FAO, adaptado pela equipe Feed&Food
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