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Exportações brasileiras ao Golfo voltam a crescer, mas semestre segue negativo

Vendas avançaram 1,25% em junho, enquanto conflitos e restrições logísticas continuam afetando o acesso aos mercados da região

As exportações brasileiras para os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo voltaram a crescer em junho de 2026, após três meses consecutivos de queda. As vendas somaram US$ 758,14 milhões, avanço de 1,25% em relação ao mesmo mês de 2025.

O bloco reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Apesar da reação mensal, o resultado acumulado permanece negativo: no primeiro semestre, os embarques brasileiros ao grupo totalizaram US$ 4,17 bilhões, queda de 4,01% na comparação anual.

Conflito altera rotas comerciais

A retração acumulada ocorre em meio às restrições ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, intensificadas desde o início do conflito regional, em fevereiro. Ataques a embarcações e riscos à navegação reduziram o movimento de navios pelo corredor, importante ligação entre os portos do Golfo e o comércio internacional.

Segundo Mohamad Orra Mourad, vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, exportadores recorreram a portos do Mar Vermelho e à combinação de transportes rodoviário e aéreo. O dirigente pondera que ainda é cedo para confirmar uma recuperação sustentada.

Operação portuária reúne cargas do agronegócio destinadas ao mercado externo, em um cenário de adaptação logística das exportações brasileiras para os países do Golfo. Crédito: Imagem gerada por IA.

Agro mantém peso nos embarques

Considerando os 22 países da Liga Árabe, as exportações brasileiras cresceram 3,73% no primeiro semestre, alcançando US$ 9,56 bilhões. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito e Argélia registraram aumento nas compras de produtos brasileiros.

O agronegócio permanece como principal componente dessa relação comercial. Entre janeiro e junho, o açúcar liderou a pauta agrícola, com US$ 1,79 bilhão, apesar da queda de 7,45%. A carne de frango movimentou US$ 1,57 bilhão, recuo de 9,99%.

Em sentido contrário, o milho avançou 49,51%, para US$ 794,90 milhões. Os diferentes desempenhos mostram que a reação das exportações não ocorre de maneira uniforme entre produtos e destinos.

A evolução no segundo semestre dependerá das condições de segurança marítima, dos custos logísticos e da demanda dos importadores. Assim, a alta de junho representa um sinal positivo, mas ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas no Golfo.

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