A destinação da mortalidade suinícola voltou ao centro das discussões da cadeia produtiva brasileira em meio aos debates sobre biosseguridade, controle sanitário e sustentabilidade nas granjas. O tema envolve diferentes modelos de gestão das carcaças animais e levanta discussões sobre rastreabilidade, impacto ambiental, controle operacional e prevenção de doenças dentro da produção de suínos.
Em nota técnica divulgada recentemente, a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) reforçou que o recolhimento e transporte de carcaças seguem critérios regulamentados no Brasil e estão previstos na Instrução Normativa MAPA nº 48/2019. Segundo a entidade, os veículos utilizados na operação devem ser exclusivos, vedados e preparados para evitar vazamentos, além de não poderem acessar áreas de produção animal.
A associação destacou ainda que as operações exigem higienização e desinfecção imediata após cada carregamento, além de identificação dos veículos para fins de rastreabilidade e controle sanitário. Nesse contexto, o transporte passa a ser tratado como uma etapa controlada e auditável dentro da cadeia produtiva.
Biosseguridade e controle sanitário
A discussão ganhou força em um momento em que o setor amplia a atenção para estratégias de prevenção sanitária e redução de riscos dentro das propriedades. Segundo a ABRA, o processamento industrial por meio do sistema de rendering atua como uma barreira sanitária importante, utilizando tratamento térmico controlado para inativação de agentes patogênicos.
De acordo com a entidade, o processo ocorre em temperaturas entre 115 °C e 145 °C, sob pressão e tempo determinados, contribuindo para o controle de microrganismos como Salmonella spp., Escherichia coli O157, Listeria monocytogenes, Campylobacter spp. e Clostridium perfringens.
O debate também envolve organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a gestão adequada de resíduos de origem animal como componente relevante para proteção da saúde pública e ambiental. Já a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) recomenda métodos capazes de garantir a inativação de agentes patogênicos e o controle da disseminação de doenças.

Desafios operacionais nas propriedades
Outro ponto levantado pela ABRA é que a gestão da mortalidade exclusivamente dentro das propriedades também exige elevado nível de controle técnico e operacional. Métodos como compostagem de carcaças, especialmente de animais de grande porte, demandam monitoramento rigoroso de fatores como umidade, relação carbono/nitrogênio e estrutura adequada.
Segundo a entidade, a ausência dessas condições pode elevar riscos relacionados à formação de necrochorume, contaminação ambiental, atração de vetores biológicos e persistência de agentes patogênicos.
Além disso, o processo de estabilização sanitária pode ultrapassar 100 dias apenas na fase termofílica, aumentando a complexidade operacional dentro das granjas.
Debate técnico deve avançar no setor
A avaliação da associação é que o setor precisa avançar em uma discussão baseada em critérios técnicos, científicos e operacionais, considerando diferentes modelos de gestão de risco sanitário.
A entidade afirmou que o recolhimento industrial não deve ser tratado como substituição compulsória de métodos já adotados nas propriedades, mas como uma alternativa complementar regulamentada e passível de auditoria sanitária.
Atualmente, segundo a ABRA, já existem empresas associadas atuando nesse modelo de operação dentro dos parâmetros legais e sanitários exigidos pela legislação brasileira.
Em meio ao avanço das exigências de biosseguridade e sustentabilidade na produção animal, o tema tende a ganhar espaço nas discussões da cadeia suinícola brasileira, especialmente diante da necessidade de ampliar controle sanitário, rastreabilidade e eficiência operacional nas granjas.
Fonte: Departamento Técnico ABRA, adaptado pela equipe Feed&Food
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