O Brasil conquistou mais uma abertura estratégica para o agronegócio nacional com a autorização para exportação de ovos à Coreia do Sul. O anúncio reforça o avanço da diplomacia sanitária brasileira e amplia a presença do setor avícola em mercados considerados relevantes no comércio internacional. Em entrevista exclusiva à Feed&Food, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, destacou que o resultado é fruto de negociações técnicas, diplomáticas e comerciais conduzidas pelo governo brasileiro em parceria com o setor privado.
Segundo Rua, a abertura para a Coreia do Sul se soma a outras conquistas recentes envolvendo o mercado de ovos, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Chile e México. “É uma abertura a ser comemorada, bastante importante, que se soma a outras aberturas que fizemos para os ovos neste último ano. Hoje acessamos os Estados Unidos, acessamos a União Europeia e conseguimos inclusive o pre-listing para exportação para o bloco europeu no ano passado”, afirmou.
Diplomacia sanitária e negociações técnicas
De acordo com o secretário, a negociação com os sul-coreanos envolveu missões presenciais, reuniões técnicas e envio de questionários sanitários. Ele ressaltou que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul também contribuiu para o avanço das tratativas.
“O presidente Lula esteve na Coreia do Sul. Nós estivemos lá com o ministro Carlos Fávaro e tivemos discussões técnicas há cerca de um mês e meio, dois meses. Agora vem esse resultado, fruto dessa diplomacia e dessas negociações cada vez mais importantes que temos feito pelo mundo”, explicou.
Rua destacou ainda que o trabalho de abertura de mercados exige presença internacional constante. “Eu mesmo já estive em 14 países este ano. Às vezes a gente não colhe naquele momento, mas colhe no momento seguinte. Onde houver oportunidade para produtores e exportadores brasileiros, seja de ovos ou de outros produtos agropecuários, nós vamos buscar”, disse.
Segundo ele, a estratégia do governo brasileiro busca gerar oportunidades econômicas no interior do país. “Quando geramos oportunidades de abertura de mercados, estamos gerando renda e emprego, especialmente onde mais precisamos, que é no interior do Brasil”, afirmou.

Mercado com potencial de crescimento
Apesar de ainda não haver projeções oficiais de volume exportado, o secretário acredita que a Coreia do Sul poderá se tornar um mercado relevante para os ovos brasileiros nos próximos anos.
“Vou deixar as projeções para a ABPA, que conhece melhor a prática mercadológica do setor. Mas tenho certeza de que é um mercado com potencial bastante relevante, assim como outros que abrimos recentemente”, comentou.
Rua citou que mercados como Chile, México, Estados Unidos e União Europeia já figuram entre os principais destinos dos ovos brasileiros. “Tenho certeza de que a Coreia também estará entre os principais compradores em um futuro próximo”, acrescentou.
O secretário explicou ainda que negociações internacionais costumam ser longas e envolvem diferentes etapas técnicas e sanitárias. “São sempre negociações demoradas, mas a ida do ministro Carlos Fávaro, a minha ida e todo o trabalho técnico da equipe fizeram com que tivéssemos agora essa coroação da abertura desse mercado”, afirmou.
Qualidade, sanidade e confiança
Entre os principais argumentos apresentados pelo Brasil durante as negociações, Luís Rua destacou os atributos sanitários e produtivos da avicultura brasileira.
“O Brasil consegue entregar qualidade, quantidade e sanidade. Somos livres de enfermidades e somos um parceiro sólido, estável e confiável”, disse.
Para ele, a confiança internacional no agro brasileiro vem sendo construída com base em competência técnica e segurança sanitária. “O Brasil faz isso com muita competência. Temos desafios, claro, mas podemos cada vez mais ampliar nosso espaço no mundo”, ressaltou.
Questionado sobre os produtos autorizados para exportação, o secretário confirmou que a abertura contempla todos os tipos de ovos brasileiros. “São todos os ovos”, concluiu.
Reportagem: Giovana de Paula
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