Conflitos internacionais, interrupções logísticas e novas exigências sanitárias vêm adicionando desafios à competitividade das cadeias brasileiras de proteína animal. Em 2026, problemas no Estreito de Ormuz afetaram fluxos de energia e fertilizantes e elevaram custos relacionados aos insumos agrícolas, mostrando como choques externos podem alcançar diferentes etapas da produção de alimentos.
Para o Brasil, grande participante do comércio internacional de produtos agropecuários, o cenário reforça a necessidade de combinar eficiência produtiva com capacidade de comprovar o cumprimento das exigências dos países compradores.
União Europeia amplia requisitos
A partir de 3 de setembro de 2026, entram em aplicação na União Europeia regras que condicionam a entrada de determinados animais e produtos de origem animal ao cumprimento de restrições relacionadas ao uso de antimicrobianos. A norma proíbe, entre outros pontos, medicamentos antimicrobianos utilizados para promover crescimento ou aumentar rendimento e substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções humanas.
No caso brasileiro, o Regulamento de Execução (UE) 2026/1189 retirou as marcações de autorização para bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas. A Comissão justificou a decisão pela ausência, até então, das garantias necessárias para demonstrar adequação às novas exigências.
O Mapa, por sua vez, informou em julho que as negociações técnicas com as autoridades europeias permaneciam em andamento.
Dados entram na estratégia de acesso
Nesse contexto, rastreabilidade e infraestrutura digital ganham espaço na cadeia produtiva. As próprias regras europeias consideram informações sobre procedimentos capazes de garantir a rastreabilidade e a origem de animais e produtos na avaliação de países fornecedores.
Tecnologias de identificação animal, sensores, plataformas integradas e sistemas de registro podem contribuir para organizar informações sobre manejo, sanidade e utilização de insumos. A digitalização passa, assim, a ter papel não apenas na eficiência das propriedades, mas também na comprovação de conformidade exigida pelo comércio internacional.
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