Em entrevista à Feed&Food, Luis Rua, ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), analisou a estratégia brasileira para ampliar o acesso de produtos agropecuários ao exterior. Rua deixou a pasta em 13 de julho de 2026, após quase dois anos no cargo. A agenda inclui abertura e ampliação de mercados, remoção de barreiras técnicas e negociação de protocolos sanitários.
Em 2025, as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões. Segundo os dados apresentados pelo entrevistado, os embarques cresciam 3,7% em 2026 até o momento da conversa, ante 3% no ano anterior. Com base nesse ritmo, Rua avaliou que o Brasil poderia disputar com os Estados Unidos a liderança mundial das vendas externas do setor.
Aberturas alcançam proteína animal
Até o início de maio, o país havia acumulado 612 novos acessos desde 2023, conforme o balanço apresentado por Rua. Em 23 de maio, o Mapa atualizou o total para 616 e manteve a meta de chegar a 700 até o fim de 2026. Mais de 60 aberturas envolveram aves, ovos e material genético nos últimos três anos e meio, segundo o ex-secretário.
“Esse resultado é fruto de um trabalho que leva em conta a conexão entre o setor público, o setor privado, as associações e os produtores”, afirmou Rua. Ele ressaltou, porém, que a abertura formal precisa ser convertida em vendas, o que pode exigir habilitação de estabelecimentos, adequações técnicas e promoção comercial.
China exige diversificação
Pelas contas citadas na entrevista, a China absorve 33% do valor exportado pelo agro brasileiro. Rua classificou o país como o principal comprador e um mercado grande e exigente, mas defendeu a busca por outros destinos para reduzir a concentração comercial.
“Temos trabalhado pela diversificação. Nem sempre você abre o mercado e começa a exportar no dia seguinte, mas esse impacto começa a aparecer ao longo do tempo”, disse.
Regionalização reduz riscos
Na avicultura, uma das prioridades é obter reconhecimento internacional da regionalização sanitária. O objetivo é limitar eventuais restrições causadas por um novo foco de influenza aviária à área afetada, em vez de interromper embarques de todo o país. “As restrições podem ficar limitadas a um raio, a uma cidade ou a um estado, o que evita grandes disrupções”, explicou.
Para Rua, a competitividade depende de preço, sanidade, estabilidade de fornecimento e atributos sociais e ambientais. A avaliação é que a cooperação entre governo e setor produtivo deve continuar voltada tanto à conquista de novos acessos quanto ao melhor aproveitamento dos mercados já habilitados.
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