Por Juliana Antonangelo | juliana@dc7comunica.com.br
Celebrado em 20 de março, o Dia Nacional da Aquicultura reforça a importância do setor aquícola para o desenvolvimento econômico do Brasil. O país se consolidou como um dos maiores produtores mundiais de pescado, com destaque para a tilapicultura, que representa 68% da produção nacional de peixes. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos e do crescimento expressivo nos últimos anos, a atividade ainda enfrenta desafios, especialmente em relação à burocracia, regulamentação e ampliação do mercado internacional.
Para entender melhor o cenário atual, conversamos com Francisco Medeiros, presidente-executivo da Peixe BR, e Altemir Gregolin, ex-ministro da Pesca e Aquicultura, que analisam os avanços, desafios e perspectivas para o setor.
Medeiros menciona que a tilapicultura está cada vez mais integrada ao agronegócio brasileiro, consolidando-se como mais uma proteína nacional. “Crescemos mais de 10% ao ano nos últimos 11 anos e devemos manter esse ritmo na próxima década”, enfatiza.
O ex-ministro também destaca a evolução da aquicultura no Brasil nas últimas duas décadas como fundamental para consolidar o país como um grande produtor mundial. “São 20 anos de avanços, culminando em um crescimento acelerado na última década. A tilápia foi a espécie que mais cresceu nesse período, permitindo a verticalização da cadeia e a abertura do mercado externo, tornando o Brasil o quarto maior produtor mundial”, afirma Gregolin.

Além do avanço da produção, o setor tem investido em tecnologia para garantir maior eficiência e qualidade. “A tilapicultura brasileira é a mais tecnológica do mundo, com avanços em genética, nutrição, equipamentos de monitoramento e processamento automatizado, gerando inovações que não são encontradas em outros países produtores”, declara Medeiros.
Outro ponto essencial enfatizado pelo ex-ministro é a sustentabilidade da aquicultura, que se destaca entre as proteínas de origem animal. Segundo ele, “a aquicultura é a proteína animal que menos emite gases de efeito estufa e que melhor aproveita os recursos naturais. Além disso, sua conversão alimentar é mais eficiente, tornando-a uma atividade estratégica para o Brasil.”
Já a exportação de pescado tem sido um dos focos estratégicos para o crescimento da aquicultura brasileira. “Elaboramos um planejamento para aumentar as exportações da tilápia, e hoje o crescimento está acima da média de outras proteínas. Nosso objetivo é elevar a participação das exportações dos atuais 3% para 20% da produção nos próximos anos”, complementa Francisco.

Foto: Reprodução.
Desafios e perspectivas para o futuro da aquicultura
O setor aquícola brasileiro tem grande potencial para crescer, mas ainda há desafios importantes a serem superados. “O setor público e privado precisam trabalhar juntos em um planejamento estratégico para os próximos 20 anos, garantindo segurança jurídica, investimentos em ciência e tecnologia, crédito e estímulo ao consumo interno e externo,” afirma Gregolin.
Mesmo com os avanços, a burocracia continua sendo um entrave para a expansão do setor, tanto no mercado interno quanto no comércio exterior. Conforme Medeiros, “a piscicultura brasileira é a mais burocrática do mundo. Nosso trabalho na Peixe BR é justamente melhorar a competitividade do setor, atuando desde a produção até a comercialização e exportação.”
Gregolin também aponta que a regulamentação ainda é um obstáculo, especialmente no licenciamento ambiental. “A burocracia no licenciamento é um dos principais problemas do setor, dificultando sua expansão na maioria dos estados. Além disso, a regulação da importação de tilápia precisa considerar não apenas os riscos sanitários, mas também os impactos econômicos.”
Com crescimento sólido e avanços tecnológicos, o futuro da aquicultura brasileira promete oportunidades para produtores e investidores. No Dia Nacional da Aquicultura, o setor reforça a importância de superar desafios e consolidar o Brasil como referência mundial na produção de pescado.
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