As exportações brasileiras de ovos voltaram a crescer em abril, interrompendo dois meses consecutivos de desaceleração. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Brasil embarcou 2,31 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês.
O volume representa avanço de 24% em relação a março de 2026. Na comparação com abril de 2025, porém, os embarques ainda ficaram 47% menores, indicando recuperação mensal, mas com desempenho abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Demanda chilena ganha força
O avanço foi impulsionado principalmente pelo Chile, que registrou o primeiro caso de gripe aviária em granja comercial. Com isso, o país aumentou as compras externas e importou volume recorde de ovos brasileiros, considerando toda a série histórica da Secex.
De acordo com o Cepea, o Chile foi destino de 84% dos embarques nacionais de ovos in natura em abril. O movimento reforça o papel do Brasil como fornecedor em momentos de restrição sanitária em outros mercados.

Ovos in natura puxam crescimento
Do total exportado em abril, 1,64 mil toneladas corresponderam a ovos in natura. O volume representa crescimento de 53% em comparação ao mês anterior, sendo o principal responsável pela recuperação das vendas externas no período.
Já os ovos processados somaram cerca de 668 toneladas, queda de 16% frente a março. A diferença entre os dois segmentos mostra que a demanda emergencial chilena se concentrou principalmente no produto in natura.
Status sanitário favorece Brasil
Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário evidencia a capacidade do Brasil de atender países afetados por surtos de gripe aviária. Movimento semelhante foi observado em 2025, quando os embarques brasileiros aos Estados Unidos cresceram gradualmente diante de restrições sanitárias no mercado norte-americano.
Como o Brasil mantém o status de livre da doença em granjas comerciais, o país segue com potencial para ampliar o atendimento à demanda externa. Para o setor de ovos, a manutenção desse status sanitário permanece estratégica para preservar mercados e abrir oportunidades em momentos de maior pressão internacional por abastecimento.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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