A produção brasileira de soja deve atingir novo recorde em 2026, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14). A estimativa para a oleaginosa chegou a 174,1 milhões de toneladas, avanço de 4,8% em relação ao volume colhido em 2025.
A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 348,7 milhões de toneladas. O resultado representa crescimento de 0,7% frente ao ano anterior, quando a produção somou 346,1 milhões de toneladas, com aumento de 2,6 milhões de toneladas.
Soja e milho concentram produção
Arroz, milho e soja seguem como os principais produtos do levantamento, respondendo por 92,7% da estimativa de produção e por 87,6% da área a ser colhida no país. Entre eles, a soja apresentou crescimento na produção e também aumento de 1,2% na área estimada para colheita.
O milho, insumo estratégico para a nutrição animal, teve produção estimada em 138,2 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação ao recorde registrado no ano passado. Mesmo assim, segundo o IBGE, as condições da segunda safra são consideradas boas, e o resultado final ainda dependerá do avanço da colheita.

Recorde é puxado pela produtividade
De acordo com Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura da pesquisa, o desempenho da soja foi favorecido pelas condições climáticas e pelo ganho de produtividade. “Trata-se de uma safra bastante semelhante à do ano passado, com crescimento puxado principalmente pela soja. A produção de soja foi estimada em 174,1 milhões de toneladas, com aumento de 0,2% em relação ao mês anterior e de 4,8% comparado a 2025, favorecida por condições climáticas muito boas, que resultaram em ganho de produtividade de cerca de 3,7% e uma safra recorde”, afirmou.
No Rio Grande do Sul, a estimativa indica forte recuperação da produção após perdas registradas anteriormente. O estado deve colher 18,4 milhões de toneladas de soja, crescimento de 34,6% em relação a 2025, mesmo com revisões para baixo provocadas por problemas climáticos.
Centro-Oeste lidera volume nacional
Entre as regiões produtoras, o Centro-Oeste manteve a liderança, com 174,5 milhões de toneladas, o equivalente a 50% da produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas. Na sequência aparecem Sul, com 92,1 milhões de toneladas; Sudeste, com 30,6 milhões; Nordeste, com 29,9 milhões; e Norte, com 21,5 milhões de toneladas.
Mato Grosso segue como o maior produtor nacional de grãos, com 30,9% de participação. O estado é seguido por Paraná, com 13,5%; Rio Grande do Sul, com 10,8%; Goiás, com 10,7%; Mato Grosso do Sul, com 8,2%; e Minas Gerais, com 5,4%. Juntos, esses estados concentram 79,5% da produção nacional.
Grãos impactam cadeia animal
O desempenho da soja e do milho é acompanhado de perto pelas cadeias de proteína animal, já que os dois produtos têm peso direto na composição de rações para aves, suínos, bovinos e peixes. A disponibilidade dos grãos influencia custos de produção, margens da indústria e competitividade das proteínas brasileiras no mercado interno e externo.
Além da soja, o levantamento também apontou crescimento para o sorgo, com alta de 1% na estimativa de produção. Já algodão, arroz, milho, feijão e trigo apresentaram recuos em relação ao ano anterior, refletindo ajustes de área, preços e condições produtivas em diferentes regiões do país.
Fonte: IBGE, adaptado pela equipe Feed&Food
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