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Inteligência Artificial e microbioma ajudam a interpretar estratégias nutricionais e prever o desempenho animal

Palestra de Mariana Nascimento, da Sapiens Artificial intelligence in microbiome mostrou como a inteligência artificial transforma dados complexos em critérios técnicos para decisões mais precisas na nutrição animal.

inteligência artificial microbioma

Durante a 36ª Reunião Anual do CBNA de Aves, Suínos e Bovinos, Mariana Nascimento, Chief Scientific Officer da Sapiens Artificial intelligence in microbiome, apresentou como a inteligência artificial (IA) pode ser aplicada à análise do microbioma para apoiar decisões nutricionais e melhorar o desempenho animal.

Segundo a pesquisadora, o microbioma intestinal produz metabólitos continuamente, independentemente de o animal estar em repouso ou em atividade. Esses compostos funcionam como sinais biológicos que refletem a interação entre dieta, ambiente e organismo, influenciando diretamente a saúde intestinal e a produtividade.

Mariana explicou que a IA é utilizada após o sequenciamento genético das amostras para integrar milhares de variáveis, identificar biomarcadores e reconhecer padrões que dificilmente seriam detectados por métodos estatísticos tradicionais. “A IA não substitui o conhecimento biológico. Ela aumenta a capacidade de detectar padrões e organizar a interpretação”, destacou.

inteligência artificial microbioma
Mariana Nascimento apresenta aplicação da inteligência artificial na análise do microbioma durante a 36ª Reunião Anual do CBNA. Crédito: Feed&Food

Da complexidade dos dados à tomada de decisão

Na apresentação, Mariana mostrou que a análise do microbioma vai além de identificar quais bactérias aumentaram ou diminuíram. O objetivo é entender como esses microrganismos interagem entre si e como respondem à dieta, aos aditivos e aos desafios sanitários.

A empresa utiliza índices de robustez e de disbiose para transformar essas informações em scores práticos, capazes de classificar lotes, identificar animais mais frágeis e antecipar riscos sanitários. Com isso, produtores e técnicos podem agir preventivamente e comparar, com maior precisão, a eficácia de diferentes estratégias nutricionais. “O futuro não está em gerar mais relatórios. Está em gerar melhor critério para decidir”, afirmou.

Tecnologia e biologia precisam caminhar juntas

Apesar do grande potencial da inteligência artificial, Mariana ressaltou que a ferramenta deve ser interpretada com cautela. Segundo ela, correlações estatísticas não significam necessariamente relações de causa e efeito, e a qualidade do banco de dados é fundamental para garantir resultados confiáveis.

Ao encerrar a palestra, a pesquisadora reforçou que o verdadeiro valor da tecnologia está na integração entre ciência de dados, microbiologia e conhecimento zootécnico. “O valor real surge quando o modelo conversa com a biologia e com a decisão prática”, concluiu.

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