A busca por cadeias produtivas mais sustentáveis e rastreáveis vem ganhando força no mercado global de proteína animal. Em meio ao aumento das exigências ambientais e sociais, especialmente de compradores internacionais, a certificação de soja utilizada na alimentação animal começa a ocupar papel cada vez mais estratégico para produtores, indústrias e tradings.
Nesse cenário, a certificação da Mesa Redonda de Soja Responsável (RTRS) avança como uma ferramenta de rastreabilidade e gestão socioambiental dentro da cadeia de suprimentos de aves, suínos, bovinos e aquicultura. A iniciativa envolve padrões de produção responsável e mecanismos de controle que acompanham a soja desde a origem até os diferentes elos da cadeia.
Segundo Álvaro Queiroz, gerente de Desenvolvimento de Mercado Brasil da RTRS, o impacto da certificação vai além da produção agrícola e chega diretamente às cadeias de proteína animal. “A certificação de soja RTRS impacta a cadeia de proteína animal ao trazer mais transparência, rastreabilidade e responsabilidade sobre a origem da soja utilizada na alimentação animal”, afirma.
De acordo com ele, o modelo fortalece a confiabilidade da cadeia ao garantir que o grão seja proveniente de sistemas de produção ambientalmente responsáveis, socialmente justos e economicamente viáveis. “Isso se traduz em uma cadeia de suprimentos mais confiável para os compradores de proteína animal, que podem demonstrar compromissos concretos com a sustentabilidade junto aos seus clientes e mercados”, destaca.
Rastreabilidade e exigências internacionais
A pressão por rastreabilidade e critérios ESG tem aumentado principalmente em mercados internacionais, com destaque para a Europa. Nesse contexto, a RTRS avalia que a certificação também atua como mecanismo de redução de riscos socioambientais na cadeia de abastecimento.
“Além de melhorar a credibilidade e o desempenho sustentável da soja na alimentação animal, a certificação facilita a gestão de riscos ligados ao desmatamento, critérios sociais e rastreabilidade”, explica Queiroz.
Segundo ele, a RTRS conta atualmente com mecanismos de Cadeia de Custódia que permitem acompanhar o fluxo da soja certificada desde o produtor até portos, distribuidores e indústrias. Hoje, o sistema soma 337 sites certificados globalmente, sendo 220 no Brasil.
Outro ponto destacado pela entidade é o crescimento da demanda por soja certificada em setores específicos, principalmente na aquicultura. “O setor aquícola hoje representa uma demanda crescente por materiais certificados, impulsionada por certificações internacionais como ASC e BAP, que reconhecem materiais RTRS como fonte sustentável para ingredientes de ração”, ressalta. De acordo com a RTRS, a aquicultura já representa mais de 70% do mercado da entidade.

Certificação avança como diferencial competitivo
A adoção de certificações sustentáveis também começa a ganhar peso como diferencial competitivo dentro da cadeia de proteína animal. Na avaliação da RTRS, grandes compradores e indústrias de alimentação animal vêm incorporando critérios ambientais e sociais cada vez mais rígidos em suas estratégias de compra.
“A certificação RTRS já é consolidada como um diferencial competitivo importante para produtores inseridos em cadeias mais exigentes, como o setor de feed em geral”, afirma Queiroz.
Segundo ele, o movimento acompanha uma transformação mais ampla nas cadeias globais de suprimentos, em que sustentabilidade e rastreabilidade passam a influenciar acesso a mercados e posicionamento comercial.
“Esse movimento reforça o papel da RTRS como um instrumento relevante de conexão entre produção responsável e mercado, contribuindo para a evolução contínua das cadeias de proteína animal e da indústria de alimentação como um todo”, completa.
Desafios para ampliar a adesão
Apesar do avanço da demanda por matérias-primas certificadas, a RTRS avalia que ainda existem desafios importantes para ampliar a adesão à certificação no Brasil. Entre eles estão a necessidade de fortalecimento do mercado de soja sustentável e a ampliação da percepção de valor ao longo da cadeia.
“A cadeia da soja é longa e complexa, e o consumidor final não percebe claramente sua presença nos produtos. Isso limita a captura de valor ao longo da cadeia”, explica Queiroz.
Outro desafio citado envolve o milho certificado, especialmente pela dificuldade do mercado em associar o cereal aos riscos socioambientais presentes na cadeia produtiva. Ainda assim, a RTRS afirma que produtores de soja certificados podem acessar também a certificação de milho com exigências adicionais reduzidas, estimulando a diversificação e agregação de valor.
Na avaliação da entidade, a expansão de modelos certificados tende a fortalecer a posição do Brasil no cenário global de produção sustentável. “A expansão da RTRS contribui de maneira significativa para a evolução da sustentabilidade no agro brasileiro, ao fortalecer padrões mais responsáveis de produção, estimular boas práticas e ampliar a transparência da cadeia”, conclui Queiroz.
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