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Assinatura química permite rastrear origem de tainhas brasileiras

Estudo identifica 23 metabólitos no músculo dos peixes e abre caminho para autenticação geográfica e combate a fraudes no pescado

Pesquisadores da Embrapa, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) identificaram diferenças no perfil químico de tainhas (Mugil liza) capazes de indicar sua origem geográfica. O estudo foi publicado em 28 de abril de 2026 na revista científica Fishes e avaliou peixes provenientes da Lagoa de Araruama e da Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, além de Santa Catarina.

A pesquisa utilizou espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H) combinada à metabolômica para analisar pequenas moléculas presentes no músculo. Ao todo, foram identificados 23 metabólitos relacionados, entre outros processos, ao gasto energético, estrutura muscular e metabolismo.

Origem deixa marcas no pescado

As análises estatísticas mostraram separação entre os perfis metabólicos conforme a procedência dos peixes. Na comparação entre Lagoa de Araruama e Santa Catarina, lactato, histidina, treonina, fenilalanina e ornitina estiveram entre os compostos que mais contribuíram para a diferenciação geográfica.

Equipamento de Ressonância Magnética Nuclear é utilizado na análise de amostras para identificar metabólitos capazes de diferenciar a origem geográfica das tainhas. Crédito: Reprodução.

Entre Araruama e a Baía de Sepetiba, o estudo também identificou dois grupos distintos. Dos 23 metabólitos avaliados, apenas quatro não apresentaram diferença estatisticamente significativa entre essas duas origens.

Outro resultado foi a baixa influência do tamanho dos peixes e da sazonalidade sobre o perfil metabólico geral, característica que reforça o potencial dos marcadores para estudos de procedência.

Tecnologia pode apoiar rastreabilidade

A chamada impressão digital química pode fornecer uma ferramenta complementar para autenticar a procedência do pescado e identificar possíveis irregularidades de origem. Os autores apontam que o protocolo baseado em RMN de ¹H pode ser aplicado em processos de identificação geográfica.

Os resultados também integram a base técnica relacionada ao processo de Indicação Geográfica, na modalidade Denominação de Origem, para a tainha da Lagoa de Araruama. O pedido de IG foi protocolado em 2026, e o INPI ainda precisa analisar a documentação antes de eventual reconhecimento.

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