O acompanhamento de indicadores técnicos e econômicos pode fazer diferença na capacidade das propriedades leiteiras de enfrentar períodos de preços baixos e custos elevados. Levantamento do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA) mostra que, durante a deterioração das margens observada entre 2025 e o início de 2026, algumas fazendas chegaram a comprometer mais de 85% da receita bruta com o Custo Operacional Efetivo (COE).
Segundo Marcelo Irala, gerente técnico do SIA, propriedades consideradas mais eficientes conseguiram manter essa relação em até 70%, preservando maior capacidade para cobrir custos fixos, gerar caixa e realizar investimentos.
Alimentação concentra atenção
Outro ponto identificado foi o gasto com concentrado. Em algumas propriedades, esse item ultrapassou 45% da receita bruta, enquanto fazendas com melhor desempenho permaneceram abaixo de 40%.
A alimentação costuma ocupar parcela relevante da estrutura de custos da pecuária leiteira. Na metodologia do ICPLeite/Embrapa, por exemplo, concentrado e produção ou compra de volumosos representam conjuntamente mais de 60% da ponderação dos custos acompanhados pelo indicador.

O cenário recente reforça essa preocupação. O Cepea registrou aumento acumulado de 3,24% no COE entre janeiro e abril de 2026, mesmo em um período de recuperação do preço recebido pelo produtor.
Rebanho também influencia resultado
Além dos custos, o levantamento recomenda acompanhar produção por vaca, Dias em Lactação (DEL), margem líquida e participação das vacas em lactação no rebanho.
Segundo Irala, o ideal é que animais em produção representem entre 50% e 60% do plantel. Em algumas propriedades avaliadas, essa participação ficou abaixo de 35%, reduzindo a proporção de animais responsáveis pela geração direta de receita.
Para o especialista, o monitoramento frequente desses indicadores permite identificar desequilíbrios e ajustar alimentação, composição do rebanho e despesas antes que os problemas comprometam a rentabilidade.



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