Glaucia Bezerra | glaucia@dc7comunica.com.br
O Brasil inicia 2025 com projeções promissoras para a produção de grãos, mas enfrenta desafios no mercado interno e na concorrência global. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam aumento na produção de milho e soja, sustentado por condições climáticas favoráveis e avanço na área plantada. No entanto, o mercado futuro já sinaliza preços mais baixos para os produtores, tanto no Brasil quanto no exterior.
A segunda safra de milho, principal responsável pela produção nacional, deve alcançar 94,6 milhões de toneladas, alta de 4,8% em relação à temporada anterior. A área plantada está projetada em 16,6 milhões de hectares, com produtividade de 5,7 toneladas por hectare, um crescimento de 3,8% na comparação anual. O cenário é favorecido pelo cultivo mais acelerado da soja, que deve permitir o plantio de milho no período ideal. Ainda assim, a safra de verão registrou redução de 1,5% na produção, projetada em 22,6 milhões de toneladas, com a menor área plantada de toda a série histórica da Conab, iniciada em 1976/77.
“O consumo doméstico de milho continua em alta, puxado pela indústria de proteína animal e pela produção de etanol, mas o excedente disponível para exportação pode ser reduzido. Isso traz preocupações quanto à sustentação dos preços no mercado interno”, avalia Lucilio Alves, pesquisador do Cepea e professor da Esalq/ USP. De acordo ele, o estoque final em janeiro de 2025 deve ser de 4,4 milhões de toneladas, representando apenas 31% do consumo doméstico do ano.
No mercado internacional, os preços futuros do milho seguem pressionados por um excedente norte-americano significativo, enquanto as exportações do Brasil, estimadas em 34 milhões de toneladas para o ciclo 2024/25, podem enfrentar limitações. Caso se confirmem, os estoques finais em janeiro de 2026 podem atingir 4,9 milhões de toneladas, um aumento de 11% frente à safra anterior, mas ainda 49% abaixo da média das últimas cinco temporadas.

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