Na avicultura intensiva, a biosseguridade deixou de ser uma medida complementar e passou a integrar a rotina produtiva das granjas. Uma falha no controle de acesso, na limpeza das instalações ou na qualidade da água pode facilitar a entrada e a disseminação de agentes patogênicos, comprometendo a saúde das aves e o desempenho do lote.
O médico-veterinário Maycon Richartz explica que a biosseguridade reúne ações destinadas principalmente à proteção dos plantéis. Já a biossegurança possui alcance mais amplo e inclui o controle de riscos para trabalhadores, animais e ambiente.
Prevenção exige diagnóstico
Um programa eficiente começa pela identificação dos pontos críticos de cada propriedade. Localização, estrutura, manejo, fluxo de pessoas e veículos e condições sanitárias interferem diretamente na definição dos protocolos.
Entre as medidas estão o controle de cascudinhos, roedores e moscas; a limpeza e desinfecção dos aviários; a remoção de biofilmes; e o monitoramento da água, da ração, dos equipamentos e dos insumos. Essas ações precisam funcionar de maneira integrada, pois a falha em uma etapa pode reduzir a eficiência das demais.

Detergentes, desinfetantes e produtos com ação viricida podem fazer parte dos procedimentos conforme os riscos identificados. Entretanto, o resultado depende também da concentração utilizada, do tempo de contato, da temperatura, do método de aplicação e da presença de matéria orgânica.
Resultados precisam ser verificados
A execução da limpeza não garante, por si só, que o objetivo foi alcançado. Testes microbiológicos por swab ajudam a identificar microrganismos nas superfícies, enquanto a medição de ATP indica a presença de resíduos orgânicos e oferece uma avaliação rápida da higienização.
Os resultados devem ser comparados aos parâmetros estabelecidos para cada granja. Esse acompanhamento permite identificar falhas, ajustar procedimentos e verificar se as medidas adotadas reduzem efetivamente os riscos sanitários.
Equipe sustenta o protocolo
O fator humano permanece decisivo. Controle de acesso, troca de roupas e calçados, higienização das mãos e cumprimento dos fluxos internos dependem de treinamento, compreensão e disciplina.
Não existe um protocolo único para todas as propriedades. A biosseguridade deve ser tratada como um sistema contínuo de gestão, adaptado às vulnerabilidades de cada operação e revisto sempre que necessário. Prevenir, nesse contexto, significa agir diariamente antes que uma falha se transforme em problema sanitário e produtivo.



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