O avanço acelerado da produção brasileira de grãos, que já ultrapassa 320 milhões de toneladas, vem redesenhando a dinâmica do mercado físico no país. Com expectativa de novo recorde na safra 2025/26, o crescimento da oferta ocorre em ritmo superior ao da expansão da infraestrutura de armazenagem, criando um desequilíbrio que impacta diretamente a formação de preços e amplia a volatilidade no mercado interno.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade estática de armazenagem no Brasil varia entre 200 e 230 milhões de toneladas, o que permite guardar cerca de dois terços da produção anual. O descompasso entre oferta e capacidade de estocagem faz com que grandes volumes cheguem simultaneamente ao mercado, pressionando preços, sobretudo nos períodos de colheita.
Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira de Milho e Sorgo, a Abramilho, explica que a falta de silos gera um custo extra ao produtor de grãos. “Há o custo no processamento, na secagem, armazenagem e no transporte. Quando o produtor tem que terceirizar este trabalho, gera um valor maior e além do que, ele perde a independência de análise até mesmo do melhor momento para a venda de seu produto, ficando refém na necessidade de entrega rápida ao final da colheita, o que tira a margem e influencia na renda do produtor”, diz.
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