A conta da proteína animal começa muito antes do frigorífico, da granja ou da fábrica de ração. No Brasil, ela passa inevitavelmente pela logística e, cada vez mais, pela energia. Em um país de dimensões continentais, onde o transporte rodoviário domina o escoamento de grãos, rações e animais, qualquer oscilação no custo do combustível se transforma rapidamente em pressão sobre os custos de produção. Nos últimos anos, essa equação ganhou um componente estrutural: a expansão do etanol de milho e de seus coprodutos, especialmente o DDG e o DDGHP, que começam a ocupar espaço crescente na estratégia de custo da produção de proteína animal.
O cenário recente do mercado de combustíveis mostra por que essa relação ficou mais estreita. No início de janeiro, a DATAGRO registrou firmeza nos preços do etanol ao produtor em plena entressafra, período marcado por baixos estoques nas usinas. Em São Paulo, o etanol hidratado ao produtor atingiu R$ 3,0158/ litro e o anidro R$ 3,4476/litro (ambos sem impostos), segundo a DATAGRO Price-Reporting Agency (PRA). Em Paulínia (SP), o preço CIF do hidratado chegou a R$ 3,1220/litro, também sem impostos. De acordo com a consultoria, a oferta reduzida típica desse período sustenta os preços.
A formação desses valores não depende apenas de oferta e demanda. A política tributária também interfere diretamente no mercado. A DATAGRO destaca que a alíquota unificada do ICMS sobre a gasolina subiu R$ 0,10 por litro, elevando o imposto de R$ 1,47 para R$ 1,57/litro a partir de 1º de janeiro. Esse movimento altera a paridade de competitividade entre gasolina e etanol e influencia o comportamento dos preços na bomba com reflexos diretos sobre o custo do frete e, por consequência, sobre toda a cadeia de proteína animal.
Leia a matéria completa na edição 226 da revista Feed&Food

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