No Brasil, produtores, cooperativas e agroindústrias da cadeia de proteína animal entram no segundo semestre de 2026 revendo prazos, prioridades e estruturas de financiamento. A taxa Selic está em 14,25% ao ano, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,64% em junho, combinação que mantém o crédito caro e aumenta a exigência sobre o retorno dos projetos.
Crédito caro exige seleção
O ambiente não interrompe necessariamente o ciclo de modernização, mas favorece investimentos capazes de demonstrar ganhos mais rápidos em produtividade, conversão alimentar, automação, sanidade, biosseguridade e redução de custos. Projetos de expansão sem fluxo de caixa previsível tendem a enfrentar análises mais rigorosas.
Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, avalia como factível que as principais cadeias de proteína animal avancem entre 2% e 3% ao ano na próxima década. Segundo ele, escala, integração produtiva, eficiência alimentar, tecnologia e câmbio competitivo continuam sustentando o setor.
Ao mesmo tempo, custos de ração, oscilações cambiais, barreiras comerciais, exigências socioambientais e necessidade de rastreabilidade elevam a complexidade das decisões. A manutenção do padrão sanitário também permanece decisiva para preservar mercados e evitar perdas comerciais.
Confiança fica mais calibrada
A 29ª CEO Survey da PwC mostra um agronegócio menos eufórico, mas ainda atento às oportunidades estruturais. Entre os líderes do setor no Brasil, 50% esperam aceleração da economia global em 2026, 35% apontam a inflação como principal ameaça de curto prazo e 33% relatam aumento de receita associado à inteligência artificial.
Para Mayra Theis, sócia e líder de Agronegócio da PwC Brasil, o quadro indica “otimismo, mas contido”. A cautela convive com fundamentos relevantes: em 2025, o agronegócio respondeu por 48,5% das exportações brasileiras, com vendas externas de US$ 169,2 bilhões.
Estrutura financeira ganha peso
Nesse cenário, a viabilidade dos projetos depende da combinação entre crédito direcionado, capital privado, mercado de capitais, seguros, parcerias e planejamento de caixa. A tendência é que investimentos estratégicos continuem, porém divididos em etapas e acompanhados por uma gestão mais rigorosa dos riscos.
Para a proteína animal, eficiência produtiva, segurança sanitária e acesso a mercados devem permanecer no topo das prioridades. O investimento não sai de campo, mas agora joga com marcação apertada.
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