A Embrapa divulgou um mapeamento detalhado sobre o mercado internacional de tilápia, destacando oportunidades e obstáculos para os produtores brasileiros na Europa e nos Estados Unidos regiões que respondem por grande parte do consumo mundial de pescado. Embora seja o principal peixe produzido e exportado pelo Brasil, o setor ainda tem amplo espaço para expansão, favorecido pela qualidade natural das águas brasileiras e pelo potencial de ampliação de áreas produtivas.
O estudo mostra que os mercados europeu e norte-americano apresentam comportamentos distintos. Na Europa, o consumo per capita anual é baixo, em torno de 39 gramas, com exceção da Bélgica, que registra 147 gramas. O perfil do consumidor europeu revela predominância de nichos étnicos. Já nos Estados Unidos, o cenário é oposto: o consumo de tilápia alcança 460 gramas por pessoa ao ano, consolidando o peixe como um dos mais populares entre as espécies de carne branca no país.

Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), observa que o mercado americano apresenta forte demanda tanto para produtos frescos quanto congelados. A recente elevação tarifária imposta pelo governo Donald Trump reduziu as exportações brasileiras, mas em menor intensidade do que o previsto pelo setor. Em agosto deste ano, houve queda de 32% em toneladas, resultado considerado moderado diante das expectativas iniciais.
Para os Estados Unidos, o estudo aponta oportunidades na ampliação das exportações de tilápia congelada, segmento mais competitivo em preço, porém de maior volume. Já na Europa, quando o processo de reabertura do mercado avançar, o Brasil poderá fortalecer a oferta de filé fresco, aproveitando a reputação de qualidade do produto nacional e a ampla malha aérea que favorece o transporte.
Além disso, o estudo detalha os desafios para consolidação internacional da tilápia brasileira: necessidade de diferenciação em qualidade, ações de comunicação para divulgação do produto, competitividade frente a outras espécies de carne branca e adequações logísticas para ampliar o acesso aos mercados de alto valor.
Fonte: Embrapa, adaptado pela equipe Feed&Food.
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