Na aquicultura, o manejo também se tornou mais preciso e eficaz, com a água ganhando sensores e sistemas de controle. Flávia Tavares, pesquisadora da Embrapa Aquicultura, e Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, destacam a intensificação sustentável e a sanidade como focos principais.
O CONTROLE DA ÁGUA E A INTENSIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL
A adoção de sistemas como o RAS (Sistemas de Recirculação) permite o controle total da produção, embora exija alto investimento e manejo especializado. O monitoramento contínuo da qualidade da água (oxigênio dissolvido, temperatura, pH e transparência) é imprescindível para maximizar o desempenho produtivo. Flávia Tavares ressalta que “quando o peixe é cultivado em faixas adequadas desses indicadores, o desempenho produtivo é maximizado”. A manutenção da qualidade da água é um desafio constante, especialmente em sistemas intensivos, onde a densidade de estocagem é alta.
A automação, com alimentadores automáticos e câmeras subaquáticas, ajusta a oferta de ração e observa o comportamento dos peixes, prevenindo desperdícios e doenças. A biosseguridade aquícola, embora com características diferentes da avicultura (especialmente em sistemas de tanque-rede), tem sido aprimorada, com a Peixe BR, por exemplo, criando o primeiro manual de biosseguridade do Brasil com apoio do MAPA. A diversidade hidroclimática brasileira exige, contudo, que os sistemas de manejo sejam adaptados a cada realidade regional.
O Desafio Sanitário, a Burocracia e o Conceito One Health.
Francisco Medeiros enfatiza que a sanidade é o principal desafio do setor, especialmente com o crescimento da piscicultura e o aumento das enfermidades (bactérias e vírus). A indústria farmacêutica e os laboratórios privados, juntamente com o apoio de universidades como a UFMG,
têm sido cruciais no apoio ao diagnóstico e monitoramento. O dirigente da Peixe BR critica a burocracia governamental, que torna a tilapicultura brasileira uma das mais reguladas do mundo, e alerta para o risco sanitário da importação de tilápia de países com a presença do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), que o Brasil é considerado área livre. O setor produtivo teme que ações políticas, como a autorização de importação de tilápia do Vietnã, possam comprometer o status sanitário nacional, além do risco de introdução de bactérias que provocam graves lesões à saúde humana.
Leia o conteúdo completo na edição 223 da revista Feed&Food

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