Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), divulgou em 19 de maio o Boletim Epidemiológico nº 1/2025 com uma atualização completa sobre a situação da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no território paulista. O documento apresenta o histórico da doença desde a primeira detecção no Brasil, em 2023, até o momento atual, destacando o trabalho contínuo da CDA na contenção e prevenção da enfermidade.
Desde maio de 2023, quando o vírus H5N1 foi identificado pela primeira vez no país em aves migratórias no Espírito Santo, o Brasil já registrou 168 focos da doença, sendo 164 em aves silvestres, três em criações de subsistência e, mais recentemente, um foco em granja comercial no Rio Grande do Sul, confirmado em 16 de maio de 2025. Esse panorama nacional reforça a necessidade de ações permanentes de vigilância e biosseguridade, especialmente diante do risco de disseminação viral por aves migratórias.
Em São Paulo, a primeira ocorrência foi registrada em 3 de junho de 2023, em uma ave silvestre da espécie Thalasseus maximus (trinta-réis-real) encontrada em Ubatuba. Desde então, o Estado confirmou oito focos, todos em aves silvestres e fora do circuito produtivo comercial. Os casos concentraram-se principalmente no litoral, em municípios como Santos, Guarujá, Cubatão, Praia Grande, São Vicente e Bertioga, com apenas uma ocorrência no município de São Paulo. Não houve, até o momento, qualquer registro da doença em plantéis comerciais, o que demonstra a eficácia das medidas adotadas pelo Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA), coordenado pela CDA.
A resposta do Estado tem sido baseada em vigilância ativa e passiva, com ampla articulação entre o serviço veterinário oficial e instituições como universidades, centros de reabilitação de fauna e programas de monitoramento de praias. Em 2023, além de intensificar o monitoramento em áreas estratégicas como o complexo estuarino-lagunar de Cananéia-Iguape-Ilha Comprida, a CDA registrou 53 focos, todos em aves silvestres. Já em 2024, das 110 notificações recebidas, apenas um foco foi confirmado, em aves da espécie Thalasseus acuflavidus (trinta-réis-de-bando) no município de Bertioga.
O esforço de vigilância se traduziu em números expressivos: naquele ano, foram realizadas 2.084 fiscalizações e 288 coletas de amostras para análise laboratorial — todas com resultado negativo. Em 2025, até 19 de maio, o Estado registrou 37 notificações de suspeita de Influenza Aviária, sem nenhuma confirmação até o momento. As ações de campo somaram 1.227 fiscalizações, com 95 amostras laboratoriais coletadas, todas também negativas. A ausência de novos focos e os resultados negativos sugerem uma tendência de redução da circulação viral no Estado, embora o risco de reintrodução permaneça, sobretudo devido ao trânsito de aves silvestres e migratórias.

Sempre que um caso é confirmado, são adotadas imediatamente as medidas previstas no plano de contingência nacional, como a delimitação de perímetro de segurança com raio de 10 quilômetros ao redor do ponto de detecção. Em nenhuma das situações registradas em São Paulo foram identificadas criações comerciais dentro das áreas delimitadas, o que reforça a robustez das medidas de biosseguridade implementadas.
O boletim destaca ainda a importância da comunicação e da notificação rápida por parte de produtores, veterinários e da população em geral. A identificação precoce de sinais clínicos — especialmente sintomas respiratórios ou neurológicos e casos de mortalidade súbita em aves — é fundamental para garantir a eficácia das ações de contenção. Os dados apresentados apontam para uma resposta técnica eficiente e coordenada por parte da Defesa Agropecuária paulista, que tem garantido a manutenção do status sanitário do Estado mesmo diante da persistência da doença no cenário nacional.
Com o alerta gerado pela confirmação recente de um foco em granja comercial no sul do país, o governo paulista reforça que continuará investindo em ações de vigilância epidemiológica, capacitação técnica, comunicação de risco e atualização permanente dos protocolos sanitários. O objetivo é claro: proteger a saúde das aves, a sustentabilidade da produção avícola e a segurança alimentar da população.
Mais informações sobre o panorama da Influenza Aviária em São Paulo estão disponíveis no site da CDA (www.defesa.agricultura.sp.gov.br) e nos painéis de monitoramento da doença mantidos pela CDA e pelo MAPA.
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