Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Com a chegada do inverno em 20 de junho, diversas regiões brasileiras já registram quedas bruscas de temperatura. Para a avicultura, essa estação impõe desafios importantes relacionados ao conforto térmico e à saúde das aves, com reflexos diretos na produtividade. “O frio tem impacto direto no metabolismo das aves, que precisam desviar energia da produção para manter a temperatura corporal”, explica Paulo Giovanni de Abreu, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.
Aves são animais endotérmicos, ou seja, precisam manter uma temperatura interna constante em torno de 41°C. Em ambientes frios, ativam mecanismos de termorregulação que aumentam o gasto energético e afetam o ganho de peso, a produção de ovos e a imunidade. “Além da piora na conversão alimentar, o estresse térmico favorece doenças respiratórias e reduz o desempenho zootécnico”, alerta o pesquisador.

Ambiência adaptada ao inverno
Para enfrentar o frio, o produtor deve garantir uma ambiência eficiente. Isso inclui o uso de cortinas de boa vedação, aquecedores dimensionados corretamente, ventilação mínima controlada e, sobretudo, atenção à cama do aviário. “A cama precisa estar seca, solta e com maior espessura no inverno, entre 10 e 15 cm, para isolar melhor o frio do piso”, detalha Abreu.
Outro cuidado essencial é com a ventilação. “Mesmo no frio, é preciso garantir a renovação do ar para evitar o acúmulo de amônia, umidade e dióxido de carbono. A chave é evitar correntes de ar frio sobre as aves”, orienta. Equipamentos como exaustores e inlets bem posicionados ajudam a manter o equilíbrio entre renovação do ar e conservação do calor.
Temperatura ideal e conforto térmico
Frangos de corte requerem temperaturas mais elevadas nos primeiros dias de vida – entre 32°C e 35°C – e progressivamente menores com o crescimento. Já para poedeiras, a faixa ideal é entre 18°C e 28°C. “Temperaturas abaixo de 13°C podem causar queda significativa na produção de ovos”, observa o especialista.
A umidade relativa do ar também deve ser mantida entre 50% e 70%. Níveis muito altos favorecem a proliferação de microrganismos, enquanto níveis baixos podem causar desidratação e problemas respiratórios.
Para compensar o gasto energético adicional, é recomendado aumentar a densidade energética da ração. “A ave nem sempre consegue consumir mais alimento. Por isso, a dieta precisa ser mais concentrada em energia e nutrientes”, orienta Abreu. Também é importante garantir que a água oferecida esteja entre 18°C e 20°C, para evitar queda no consumo.
Reforço na biosseguridade
A maior permanência das aves em ambientes fechados durante o inverno aumenta a densidade populacional e favorece o acúmulo de agentes patogênicos. “É fundamental intensificar os protocolos de biosseguridade. Isso inclui controle rigoroso de acesso, pedilúvios, vazio sanitário adequado, limpeza de equipamentos e manejo correto das aves mortas”, afirma.
Segundo Abreu, tecnologias como sensores inteligentes, automação da ventilação e aquecedores com combustão fechada são cada vez mais acessíveis. “Mesmo em sistemas convencionais, é possível adotar melhorias com impacto direto no bem-estar e na produtividade”, aponta. Entre as inovações, destacam-se sensores de amônia e umidade da cama, aquecedores modulantes e sistemas de aquecimento por água quente.
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