O Dia Internacional do Nelore, celebrado em 17 de julho, passa a integrar o calendário da pecuária como uma data dedicada ao reconhecimento da raça que sustenta a produção de carne bovina no Brasil. Responsável por cerca de 80% do rebanho de corte nacional, o Nelore consolidou-se como base da bovinocultura brasileira e desempenha papel estratégico na liderança do país entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina.
Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Victor Paulo Silva Miranda, a celebração representa o reconhecimento de uma trajetória construída por gerações de pecuaristas que investiram em genética, tecnologia e eficiência produtiva.
Origem da data
A criação do Dia Internacional do Nelore foi proposta pela Associação Paraguaia de Criadores de Nelore (APCN) e aprovada por unanimidade pela diretoria da ACNB. A escolha do dia 17 de julho remete a um marco histórico para a raça: em 1938, foram emitidos, em Belo Horizonte (MG), os dois primeiros Registros Genealógicos Definitivos do Nelore no mundo, referentes ao macho Pan e à fêmea Guanabara.
A iniciativa busca ampliar o reconhecimento da raça além das fronteiras brasileiras, fortalecendo sua presença em países onde o Nelore também ocupa posição de destaque, como Paraguai e Bolívia.
Base da pecuária tropical
A adaptação ao clima tropical é apontada como um dos principais diferenciais do Nelore. Rusticidade, fertilidade, resistência ao calor, aos parasitas e às enfermidades, além da eficiência na utilização de pastagens, explicam a ampla disseminação da raça pelos sistemas produtivos brasileiros.
Nas últimas décadas, os avanços no melhoramento genético ampliaram o desempenho dos animais em características como ganho de peso, precocidade, rendimento de carcaça, fertilidade e qualidade da carne, elevando a produtividade das propriedades.
Sustentabilidade aliada à eficiência
Para a ACNB, a sustentabilidade da pecuária passa, necessariamente, pela eficiência produtiva. A evolução genética permite produzir mais carne por área, reduzindo a necessidade de expansão das fronteiras agrícolas e aumentando o aproveitamento dos recursos naturais.
Além disso, a crescente demanda dos consumidores por rastreabilidade, qualidade e boas práticas de produção tem impulsionado investimentos em tecnologia, manejo e gestão das propriedades.

Tecnologia impulsiona evolução da raça
Ferramentas de avaliação genética, reprodução assistida e análise de desempenho vêm acelerando o progresso da raça e oferecendo maior precisão na seleção dos animais. Segundo a entidade, esses avanços permitem aos pecuaristas tomar decisões baseadas em dados, aumentando a rentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos.
A ACNB também destaca iniciativas como o Circuito Nelore de Qualidade, os Rankings Nacionais e programas voltados à formação de novas lideranças, como a ACNB Jovem / Nelore Next, como estratégias para fortalecer a cadeia produtiva e garantir a continuidade da evolução da raça.
Perspectivas
Apesar dos desafios impostos por fatores econômicos, geopolíticos e pelas crescentes exigências dos mercados consumidores, a expectativa da ACNB é de continuidade do protagonismo do Nelore na pecuária de corte brasileira.
Com investimentos em genética, inovação, sustentabilidade e qualificação dos produtores, a entidade avalia que a raça continuará sendo um dos principais pilares da competitividade da carne bovina brasileira nos mercados interno e internacional.



