A avicultura do Rio Grande do Sul segue entre as principais forças da proteína animal brasileira, mesmo em um cenário de maior pressão sanitária, climática e de custos. Em 2025, o Estado abateu 808 milhões de aves e exportou 680 mil toneladas de carne de frango, segundo dados divulgados pela Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV).
O desempenho mantém o Rio Grande do Sul como o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil. O Estado também aparece entre os cinco maiores produtores e exportadores de ovos do país, com participação relevante no abastecimento interno e nas vendas externas.
Sanidade exige resposta técnica
Para 2026, as projeções nacionais indicam um ambiente de expansão moderada. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção brasileira de carne de frango pode crescer até 2% no ano, chegando a cerca de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade interna é estimada em 10,1 milhões de toneladas, com consumo médio previsto de 47,3 kg por habitante.
Apesar da posição estratégica, o setor gaúcho enfrentou desafios importantes em 2025. O registro de casos de Influenza Aviária (H5N1) gerou restrições de mercados importadores e impactou os embarques. A projeção inicial indicava queda superior a 10% nas exportações, mas o recuo efetivo ficou em 0,7%, resultado associado às ações de contenção e à manutenção de mercados sem restrições.
O Estado também registrou casos de Doença de Newcastle, o que reforçou a necessidade de protocolos sanitários rígidos e vigilância epidemiológica permanente. Segundo José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da ASGAV, o setor intensificou medidas de biosseguridade desde a entrada da Influenza Aviária no Brasil, em 2023. “Já há a implantação de sistemas com uso de Inteligência Artificial no processo industrial e de gestão técnica no campo”, afirmou.

Custos seguem no radar
Além da sanidade, os custos de produção continuam entre os principais pontos de atenção. Dados da Embrapa indicam que o custo de produção do frango de corte no Rio Grande do Sul gira em torno de R$ 4,85 a R$ 5,15 por kg. No fechamento de abril de 2026, o Estado registrou custo de R$ 4,94, próximo ao observado em Santa Catarina, de R$ 4,97.
A alimentação das aves tem peso central nessa equação. A ração representa quase 59% dos custos de produção, o que torna o comportamento dos preços do milho decisivo para a rentabilidade da atividade. Segundo o Cepea/Esalq, a oferta interna recorde de milho em 2026 pode pressionar as cotações para baixo e melhorar o poder de compra da pecuária, incluindo a avicultura.
Eventos climáticos extremos, como as enchentes registradas no Estado, também pressionaram a cadeia ao afetar logística, fornecimento de insumos e bem-estar animal. Esse conjunto de fatores amplia a necessidade de planejamento, gestão de risco e articulação entre produtores, indústrias e entidades setoriais.
Ovos ampliam relevância da cadeia
A avicultura gaúcha também tem presença expressiva na produção de ovos. Em 2025, o Rio Grande do Sul produziu cerca de 3,4 bilhões de unidades, respondendo por aproximadamente 11% da produção nacional e ocupando a quarta posição entre os maiores produtores do país.
Nas exportações, o Estado embarcou cerca de 6,2 mil toneladas de ovos, com faturamento de US$ 23 milhões. A receita cresceu mais de 30%, mesmo com leve queda no volume, indicando valorização dos preços e maior valor agregado do produto.
Para 2026, a expectativa do setor é de recuperação nas vendas externas, com crescimento entre 3% e 4% nas exportações de carne de frango e entre 20% e 30% no segmento de ovos. “Estamos muito confiantes de que 2026 será um ano de retomada vigorosa, com expansão das exportações de carne de aves e novos avanços no segmento de ovos, impulsionados por investimentos em modernização, competitividade industrial e biosseguridade”, disse Santos.
Com 808 milhões de aves abatidas, 680 mil toneladas exportadas de carne de frango, US$ 1,2 bilhão em receita, 3,4 bilhões de ovos produzidos e mais de 31 mil empregos diretos apenas no abate de aves, a avicultura gaúcha mantém peso relevante no cenário nacional. O avanço do setor, porém, depende da capacidade de responder a desafios sanitários, climáticos, logísticos e econômicos em um mercado cada vez mais exigente.
Fonte: ASGAV, ABPA, Embrapa e Cepea/Esalq, adaptado pela equipe Feed&Food
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