Com a confirmação da suspensão dos embarques de carne bovina para a China desde o dia 23 de fevereiro, o mercado viu consequências nas suas operações. Na análise da HN Agro, com a provável confirmação do caso atípico no Pará, as exportações seguirão suspensas para novos lotes e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) deve encerrar o caso em alguns dias, sem alterar o status brasileiro (de risco insignificante para BSE).
“Se isso se confirmar, daí em diante a questão é burocrática e política, uma vez que não deve haver alteração de status. A questão é alinhar e negociar a reabertura do mercado com os chineses”, indica o diretor da HN Agro, Hyberville Neto.
De acordo com ele, pelo cenário de oferta global de carne bovina enxuta e a economia chinesa crescendo mais que em 2022 e situação de outros fornecedores, é possível que não tenhamos um alongamento como foi o de 2021. “Mas, não há garantia”, ressalta.
Pensando no mercado do boi gordo, por um lado, a consultoria analisa que o ano é de mais oferta de fêmeas pela fase do ciclo, o que tende a reforçar a pressão caso a suspensão se alongue. Por outro, estamos em um período de boa qualidade de pastagens, o que altera o cenário frente à necessidade de venda que existia em 2021, com o gado de cocho.
Linha do tempo da Vaca Louca Atípica (BSE) no Brasil

2019
- Em 31/05/19, a Organização Mundial de Saúde Animal identificou um caso de vaca louca atípica (encefalopatia espongiforme bovina, ou BSE, na sigla em inglês) em Mato Grosso;
- De acordo com o protocolo firmado entre Brasil e China em 2015, no caso de ocorrência de BSE atípica, o Brasil deve suspender a habilitação para o país asiático e a volta da certificação depende das autoridades chinesas. Com isso, as exportações à China foram suspensas, depois liberadas no dia 13/6;
- As cotações do boi gordo cederam 5,4%, como pode ser observado no gráfico acima. Depois o mercado retomou a força que vinha sendo observada, em decorrência do início da retenção de fêmeas e da própria demanda chinesa em aceleração, ainda que muito menor que a atual;
- Para se ter uma ideia, em maio de 2019, o país comprou 30 mil toneladas de carne bovina in natura, volume que caiu 29,1% em junho, para 21,3 mil toneladas e avançou novamente para 29,1 mil toneladas em julho. Em dezembro daquele ano atingiu 83,6 mil toneladas;
- O nosso recorde de exportações ao país ocorreu em setembro de 2022, com 136,5 mil toneladas.
2021
- Em três de setembro de 2021 foram confirmados dois casos de encefalopatia espongiforme bovina atípica (EEB, ou BSE, na sigla em inglês), um em Minas Gerais e um em Mato Grosso, gerando nova suspensão de exportações à China;
- Aqui cabe o destaque que no dia 6/9 a Organização Mundial de Saúde Animal já reiterou a situação de risco insignificante para a BSE no Brasil, o melhor status possível;
- O período de segundo semestre possui uma participação relevante de gado oriundo de confinamento, cujo custo de retenção é elevado, o que inviabiliza a estratégia, ainda mais com o mercado cedendo, como estava pela suspensão;
- Sem certeza de quando o mercado seria retomado a indústria reduziu os abates. A associação dessa oferta de confinamento a um ritmo de compras lento permitiu que os frigoríficos pressionassem fortemente o mercado, que cedeu de R$305,10/@ (Indicador Cepea em 3/9) para R$254,10 em 28/10 (55º dia após a notificação);
- Ao longo de setembro, muitas cargas foram enviadas sem a certeza de internalização no país. Esse foi o motivo de um ritmo forte de embarques de carne bovina in natura naquele mês (111,9 mil toneladas, recorde para o destino), que diminuiu em outubro (8,2 mil toneladas) e praticamente zerou em novembro (400 toneladas). Em setembro o volume também foi o maior já exportado pelo Brasil até então, considerando todos os destinos (187 mil toneladas de carne bovina in natura);
- Após a saída do volume maior de gado confinado e sem reposição de boiadas no cocho, a oferta de boiadas foi diminuindo, o que se somou ao consumo de final de ano se aproximando e devolveu força ao mercado;
- Em 23/11 as cargas de carne que haviam sido enviadas “no risco” e aguardavam nos portos chineses foram liberadas para internalização. O mercado seguiu de lado por algumas semanas e em meados de dezembro houve a reabertura completa. Dez dias depois da reabertura, a cotação estava em R$336,50/@, 10,3% acima daquela no dia da confirmação pela WOAH.
Fonte: A.I., adaptado pela equipe Feed&Food.
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