Mesa de Mercado · CEPEA
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Brasil amplia protagonismo na geopolítica global dos alimentos

Escala produtiva, diversidade de cadeias e regularidade do abastecimento são apontadas como fatores estratégicos para o país até 2036

A segurança alimentar deve ganhar ainda mais peso nas relações internacionais ao longo da próxima década, até 2036. Conflitos, eventos climáticos extremos e interrupções logísticas aumentam a preocupação dos países com a regularidade do abastecimento e ampliam a relevância dos grandes produtores de alimentos.

Nesse cenário, o Brasil reúne escala produtiva e diversidade de cadeias para atender diferentes mercados. O país permanece como maior exportador mundial de carne de frango e de carne bovina, além de ocupar posições relevantes na produção e no comércio de carne suína e ovos. Em 2025, foram exportadas 5,324 milhões de toneladas de carne de frango e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina.

Consumo mais segmentado

Segundo Manoel Martins, vice-presidente de Mercado Brasil e Marketing da MBRF, o consumo deverá permanecer centrado em proteínas, mas com maior atenção à qualidade, conveniência, saudabilidade, origem e experiência proporcionada pelos alimentos.

Essa transformação exige que a indústria combine eficiência produtiva com inovação, diversificação e agregação de valor. O desafio será oferecer produtos adequados a diferentes faixas de renda, hábitos culturais e ocasiões de consumo, tanto no mercado brasileiro quanto nos países importadores.

Confiabilidade ganha peso

Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os últimos anos aceleraram mudanças nas cadeias de abastecimento e elevaram a importância da biosseguridade, da rastreabilidade, da sustentabilidade e da previsibilidade sanitária.

Os compradores internacionais passaram a considerar, além do preço, a capacidade de fornecimento contínuo e a estabilidade dos sistemas produtivos. No mercado interno, proteínas como frango, ovos e carne suína também mantêm relevância pela combinação entre valor nutricional, disponibilidade e custo.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que tensões geopolíticas e eventos climáticos continuam pressionando o comércio de alimentos e reforça a necessidade de preservar cadeias abertas e resilientes.

O avanço brasileiro até 2036 dependerá da capacidade de controlar riscos sanitários, ampliar mercados, reduzir impactos ambientais, investir em infraestrutura e transformar volume exportado em produtos de maior valor.

Confira a matéria completa na edição 231 da Revista Feed&Food

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