A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco revelou uma transformação importante no comércio internacional. A sustentabilidade, rastreabilidade e controle sanitário deixaram de ser diferenciais e passaram a funcionar como requisitos obrigatórios de acesso aos mercados.
De acordo com Paula Cristiane Oliveira Braz é administradora, especialista em Agronegócios e tutora dos cursos de pós-graduação na área no Centro Universitário Internacional UNINTER, a medida europeia está relacionada principalmente às novas exigências sanitárias envolvendo o uso de antimicrobianos e antibióticos na produção animal brasileira. “A União Europeia exige que os países exportadores comprovem controle rigoroso durante todo o ciclo de vida dos animais destinados ao mercado europeu”, afirma.
Em nota conjunta divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério das Relações Exteriores e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e destacou que o Brasil possui um sistema sanitário “robusto e reconhecido internacionalmente”. O comunicado também informou que o governo buscará reverter a medida por meio de negociações técnicas e diplomáticas.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), em comunicado repercutido pela imprensa, afirmou que a decisão não representa uma suspensão imediata das exportações brasileiras, mas reconheceu a necessidade de adaptação às novas regras europeias. A entidade também destacou que trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para alinhar protocolos sanitários e ampliar os mecanismos de rastreabilidade da cadeia produtiva. “O endurecimento europeu, no entanto, vai além das questões sanitárias. A nova regulamentação ambiental da União Europeia estabelece que produtos como carne, soja, café, cacau, madeira e borracha deverão comprovar origem livre de desmatamento após 2020. Isso significa que empresas exportadoras precisarão apresentar documentação detalhada, geolocalização das propriedades e sistemas de monitoramento capazes de garantir transparência em toda a cadeia produtiva”, destaca Paula. “Na prática, a União Europeia transforma sustentabilidade em critério comercial obrigatório. O desafio para o agronegócio brasileiro será equilibrar competitividade, produtividade e conformidade ambiental. Grandes empresas tendem a acelerar investimentos em tecnologia, certificações e monitoramento por satélite. Já pequenos e médios produtores poderão enfrentar maiores dificuldades para absorver os custos de adequação”, diz.
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