Avicultores do Marrocos e do Egito enfrentam pressão sobre a rentabilidade diante da queda nos preços de frangos e ovos. O movimento, registrado nas últimas semanas, ocorre em meio a uma combinação de baixa nas cotações, redução do consumo e circulação de rumores não comprovados sobre a qualidade dos produtos avícolas em países da região árabe.
No Marrocos, produtores de frango de corte relatam que os preços pagos nas granjas ficaram abaixo dos custos de produção. Segundo a Associação Nacional de Criadores de Aves do país, o frango vivo chegou a ser comercializado por menos de 7 dirhams marroquinos por quilo, enquanto os custos de produção variam entre 15 e 17 dirhams por quilo.
Margens negativas pressionam produtores
A diferença entre o custo de produção e o preço de venda tem provocado perdas relevantes aos avicultores marroquinos. De acordo com a entidade, a manutenção desse cenário por um período prolongado fragiliza a situação financeira das granjas e aumenta o risco de saída de produtores da atividade.
A situação no Marrocos reflete um ambiente mais amplo de pressão na avicultura do Norte da África. No Egito, representantes do setor também apontam queda nos preços de frangos e ovos, com impacto direto sobre a margem dos produtores.

Egito também registra recuo
No mercado egípcio, referências citadas pelo setor indicam que caixas de ovos brancos e vermelhos/marrons chegaram a ser vendidas nas granjas por cerca de 65 libras egípcias, alcançando entre 80 e 85 libras ao consumidor. Em alguns mercados, os ovos produzidos localmente foram relatados em patamares próximos de 80 libras na granja e cerca de 90 libras no varejo.
Segundo Abdel Aziz El-Sayed, chefe da divisão de avicultura da Federação das Câmaras de Comércio do Egito, a queda recente nos preços foi considerada “ilógica” por parte do setor, especialmente diante dos custos envolvidos na produção.
Rumores afetam confiança do consumidor
Parte da pressão sobre o consumo foi associada à circulação de rumores em redes sociais e publicações locais em língua árabe, envolvendo supostos riscos ligados à alimentação das aves e ao uso de substâncias como hormônios. As informações, no entanto, foram tratadas por representantes do setor como rumores, sem comprovação técnica apresentada nos relatos.
Em maio, preocupações semelhantes foram registradas no Iêmen, onde publicações locais chegaram a alertar consumidores sobre possíveis riscos ligados à carne de frango e aos ovos. Naquele período, o preço médio da carne de frango no país teria recuado quase 20% em poucos dias, em meio ao afastamento de consumidores dos produtos avícolas.
Setor alerta para efeito econômico
Para El-Sayed, boatos sobre a avicultura costumam reaparecer periodicamente na região, mas desta vez tiveram efeito mais concreto sobre as vendas. “Há muita conversa nas redes sociais, o que gerou confusão na sociedade egípcia, apesar de a carne de aves ser uma opção segura e fornecer boa proteína a um bom preço”, afirmou.
O caso mostra como a percepção do consumidor pode afetar rapidamente a cadeia avícola, especialmente em mercados sensíveis a preço e informação. Para os produtores, a combinação entre margens negativas, retração de demanda e dúvidas sobre qualidade aumenta a necessidade de comunicação técnica, transparência e resposta coordenada do setor.





