A demanda por derivados de soja nos Estados Unidos deu sustentação aos contratos futuros da oleaginosa em Chicago e ajudou a manter os preços domésticos firmes no Brasil, segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi influenciado pela valorização do farelo e do óleo de soja na CME Group.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a alta dos derivados no mercado norte-americano está ligada ao aumento da procura tanto por consumidores domésticos quanto por compradores internacionais. Esse cenário favorece os contratos futuros da soja em grão, já que farelo e óleo são produtos importantes no processamento da oleaginosa.
Conflitos e Argentina reforçam procura externa
A demanda internacional também foi influenciada por fatores externos. Segundo o Cepea, novos conflitos envolvendo navios no Estreito de Ormuz e notícias sobre uma possível paralisação na Argentina aumentaram a atenção dos compradores globais.
Esses fatores tendem a favorecer exportações dos Estados Unidos e do Brasil, já que ambos podem ganhar espaço em momentos de incerteza logística ou risco de interrupção no fornecimento de outros mercados. No caso brasileiro, o maior interesse externo pela soja elevou a disputa entre compradores internacionais e indústrias esmagadoras.

Prêmios de exportação sustentam mercado interno
No Brasil, o aumento da procura pela soja voltada à exportação pressionou os prêmios e ajudou a sustentar os preços internos. Esse movimento ocorre em um ambiente de concorrência entre tradings exportadoras e indústrias que utilizam o grão para produção de farelo e óleo.
Para as cadeias de proteína animal, o comportamento da soja segue relevante porque o farelo é um dos principais insumos da alimentação de aves, suínos e bovinos. A sustentação dos preços pode impactar custos de ração e margens de produção, especialmente em atividades mais dependentes de compras frequentes de insumos.

Indicadores avançam no Paraná
Os dados do Cepea mostram valorização da soja no Paraná ao longo da última semana. O Indicador da Soja Cepea/Esalq – Paraná fechou a sexta-feira (26) em R$ 127,64/saca de 60 kg, alta diária de 0,11% e avanço de 2,74% no acumulado do mês.
Em Paranaguá, o indicador encerrou o dia 26 em R$ 133,87/saca, com queda diária de 0,21%, mas ainda acumulando alta de 2,88% no mês. Na semana, o porto chegou a registrar R$ 134,35/saca em 24 de junho, antes de recuar nas duas sessões seguintes.
Apesar das oscilações diárias, o cenário indica sustentação dos preços em junho, apoiada pela demanda externa, pela valorização dos derivados e pela disputa entre compradores. Para produtores, indústrias e cadeias de proteína animal, a atenção segue voltada ao ritmo das exportações, ao mercado de farelo e óleo e aos desdobramentos logísticos e comerciais no cenário internacional.





