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Tecnologia brasileira cria embalagem que muda de cor para indicar peixe estragado

Desenvolvida com pigmentos naturais de repolho roxo, a inovação ajuda a identificar o frescor dos alimentos sem abrir a embalagem e pode reduzir o desperdício de comida.
Por Caroline Mendes
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Uma tecnologia inovadora desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete transformar a forma como consumidores e empresas identificam alimentos impróprios para o consumo. Trata-se de uma embalagem inteligente, feita com nanofibras e pigmentos naturais, capaz de mudar de cor à medida que o peixe se deteriora.

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Criada por cientistas da Embrapa Instrumentação (SP), em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) e a Universidade de Illinois (EUA), a embalagem usa antocianinas — compostos vegetais extraídos do repolho roxo — para indicar o nível de frescor do alimento.

O funcionamento é simples: à medida que o peixe libera compostos associados à deterioração, como aminas e amônia, a acidez do ambiente muda, o que altera a cor da embalagem. Em testes com filés de merluza, a manta passou de roxo (peixe fresco) para azul-acinzentado (início da deterioração) e azul (produto impróprio para consumo), tudo isso em até 72 horas, sem necessidade de abrir a embalagem.

Segundo os pesquisadores, a solução alia baixo custo, sustentabilidade e eficiência. A manta é produzida com polímeros biodegradáveis e resíduos agroalimentares, como folhas de repolho descartadas, o que reduz o impacto ambiental e contribui para o aproveitamento de alimentos.

A manta é produzida com polímeros biodegradáveis e resíduos agroalimentares, como folhas de repolho descartadas

A produção da manta usa a técnica de fiação por sopro em solução (SBS), considerada mais econômica e escalável do que métodos tradicionais. Criada por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em parceria com a Embrapa, a SBS permite fabricar as nanofibras em cerca de duas horas, sem necessidade de altas voltagens ou equipamentos caros.

Além de monitorar o frescor, as mantas também podem detectar o crescimento de bactérias, tornando-se uma alternativa promissora para embalagens inteligentes no setor de alimentos, especialmente pescados e frutos do mar. Os cientistas agora trabalham na ampliação dos testes para outras espécies.

A pesquisa foi publicada na revista científica Food Chemistry e contou com apoio da Fapesp, Capes e CNPq, por meio do INCT Circularidade em Materiais Poliméricos.

Fonte: Embrapa, adaptado pela equipe FeedFood.

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