Produtores de carne suína na Tailândia e na América do Norte demonstram crescente preocupação com as políticas comerciais adotadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. Na Ásia, suinocultores tailandeses temem os impactos de um acordo provisório que pode permitir a entrada de carne suína americana sem tarifas no país, enquanto, na América do Norte, criadores canadenses acompanham com apreensão a futura renegociação do acordo de livre comércio Cusma.
Na Tailândia, o setor avalia que a isenção de impostos para até 10 mil produtos dos EUA, incluindo carne suína, pode comprometer seriamente a produção local, estimada em cerca de US$ 3 bilhões anuais. A medida faz parte de uma tentativa de Washington de reduzir o déficit comercial de US$ 45,5 bilhões com o país asiático. Em contrapartida, os EUA impuseram uma tarifa de 19% sobre produtos tailandeses exportados ao mercado americano.
Representantes da indústria suinícola alertam que a entrada de carne americana mais barata pode levar produtores à falência, afetando toda a cadeia produtiva, desde agricultores de ração até fornecedores de insumos veterinários. Parlamentares tailandeses também levantaram a hipótese de que as tarifas estariam sendo usadas como instrumento de pressão política em meio às tensões entre Tailândia e Camboja.

Já no Canadá, a preocupação gira em torno da renovação do acordo Cusma, prevista para 2026. Analistas do setor avaliam que novas tarifas sobre a carne suína podem surgir após a renegociação. Entidades como a Manitoba Pork destacam que a dependência do mercado americano é significativa e que a perda das proteções atuais poderia gerar impactos econômicos severos, especialmente em comunidades rurais que dependem da exportação de suínos para os Estados Unidos.
O cenário evidencia como disputas comerciais e decisões tarifárias seguem afetando diretamente cadeias produtivas globais, ampliando a incerteza para produtores de diferentes regiões.
Fonte: Pig Progress, adaptado pela equipe Feed&Food.
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