O Quênia vem se firmando como um dos principais protagonistas da avicultura na África, especialmente na produção de preparações de carne de aves e ovos. Segundo o relatório de mercado 2024 da IndexBox, o país produziu cerca de 182 mil toneladas métricas de preparações de carne de aves no último ano, posicionando-se entre os três maiores produtores do continente, ao lado do Egito e da África do Sul.
Na produção de carne de frango de corte, os números ainda são considerados modestos, mas mostram trajetória de crescimento. Em 2022, o Quênia produziu aproximadamente 110 mil toneladas, um avanço de 23,5% em relação ao ano anterior. Projeções indicam que esse volume pode chegar a cerca de 148 mil toneladas até 2028, impulsionado por melhorias em infraestrutura, genética das aves e capacidade de processamento.
A produção de ovos segue como um dos pilares mais sólidos do setor. Em 2023, o país alcançou cerca de 1,8 bilhão de unidades produzidas, acima dos aproximadamente 1,6 bilhão registrados em 2019, reforçando a importância da atividade para a segurança alimentar e a renda rural.
Apesar do desempenho positivo, a avicultura queniana enfrenta desafios significativos. O principal deles é o aumento expressivo dos custos de ração, que subiram ao menos 37% nos últimos quatro anos. Atualmente, o custo da alimentação das aves no país é quase o dobro do observado em mercados como África do Sul e Brasil.
O milho, ingrediente-chave da ração, exemplifica essa pressão. Um saco de 90 quilos custa cerca de 4.800 xelins quenianos (aproximadamente €32 ou US$ 37) e pode chegar a 5.500 xelins (mais de €36 ou US$ 42) em alguns mercados. O encarecimento dos insumos tem levado pequenos produtores a abandonar a atividade e contribuído para a alta dos preços de frango e ovos ao consumidor.

Mesmo diante das dificuldades, o setor mantém perspectivas positivas. O crescimento da população urbana, aliado à expansão de redes de fast food e do varejo alimentar, tem sustentado a demanda e estimulado políticas públicas de apoio à avicultura. Diversos governos locais investem em programas voltados à produção de carne e ovos, com foco em raças indígenas, capacitação técnica, serviços veterinários e incubadoras.
No condado de Nakuru, por exemplo, iniciativas que envolvem cerca de 3.000 grupos — incluindo mulheres, jovens e pessoas com deficiência — resultaram na produção anual de mais de 67 milhões de ovos e geraram receitas superiores a US$ 6,6 milhões. Além disso, um memorando de entendimento com o Banco Mundial prevê mais que dobrar o número de aves em determinados programas e elevar a autossuficiência em carne e ovos de frango entre 20% e 30%.
O crescimento médio anual de cerca de 10,9% nas preparações de carne de aves entre 2013 e 2024 evidencia a rápida expansão do segmento. Especialistas avaliam que, caso o país consiga estabilizar os custos de ração e manter investimentos em eficiência produtiva, o Quênia terá condições não apenas de atender melhor o mercado interno, mas também de ampliar sua presença no comércio regional.
Fonte: Poultry World, adaptado pela equipe Feed&Food.
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