Mesa de Mercado · CEPEA
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Suíno vivo atinge menor preço real em São Paulo desde 2006

Média de junho caiu 2,9% frente a maio e acumulou retração de 41,2% em 12 meses, pressionada pelo crescimento da oferta e pela demanda insuficiente

O preço do suíno vivo posto na indústria manteve a trajetória de queda em junho de 2026 e completou o sexto mês consecutivo de desvalorização. Segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado segue pressionado pelo aumento da oferta de animais e pela dificuldade da demanda em acompanhar esse crescimento.

Na região SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o valor médio do suíno vivo chegou a R$ 5,25 por quilo em junho. Em termos reais, considerando os preços deflacionados pelo IGP-DI de maio, esse foi o menor patamar registrado desde julho de 2006, quando o animal era negociado a R$ 5,14 por quilo.

Indicador do suíno vivo mostrou movimentos distintos entre as praças em 1º de julho, com altas em Minas Gerais e Paraná e recuos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Crédito: Cepea/Esalq-USP

Queda chega a 41,2% em um ano

A média paulista recuou 2,9% em relação a maio e ficou 41,2% abaixo da registrada em junho de 2025. O resultado reforça o movimento baixista observado desde o começo do ano e evidencia a intensidade da pressão enfrentada pelos suinocultores.

Os dados mensais do Cepea mostram que a queda não ficou restrita a São Paulo. Entre fevereiro e junho, as cotações recuaram nas principais praças acompanhadas pelo Centro de Pesquisas, incluindo Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Preço da carcaça suína especial fechou em R$ 8,53 por quilo no dia 1º de julho, com leve alta de 0,12% no dia e no acumulado do mês. Crédito: Cepea/Esalq-USP

Em São Paulo, por exemplo, o preço mensal passou de R$ 6,91 por quilo em fevereiro para R$ 5,26 em junho. No Paraná, a cotação caiu de R$ 6,66 para R$ 4,63 no mesmo intervalo, enquanto Santa Catarina registrou redução de R$ 6,60 para R$ 4,85 por quilo.

Oferta supera avanço do consumo

De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o plantel de matrizes vem crescendo há aproximadamente quatro anos. Esse movimento ampliou gradualmente a disponibilidade de animais para abate, mas não foi acompanhado por aumento proporcional do consumo doméstico.

Indicador mensal do suíno vivo mostra queda das cotações entre fevereiro e junho nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, com valores de junho variando entre R$ 4,63/kg no Paraná e R$ 5,77/kg em Minas Gerais. Crédito: Cepea/Esalq-USP

As exportações brasileiras de carne suína também não têm sido suficientes para absorver integralmente o excedente disponível no mercado interno. A combinação entre maior oferta, demanda doméstica limitada e escoamento externo insuficiente mantém a pressão sobre as negociações.

No início de julho, as cotações apresentaram movimentos distintos entre as regiões. No dia 1º, o suíno vivo foi negociado a R$ 5,89 por quilo em Minas Gerais, R$ 5,26 em São Paulo, R$ 5,04 em Santa Catarina, R$ 5,03 no Rio Grande do Sul e R$ 4,66 no Paraná. Já a carcaça suína especial registrou média de R$ 8,53 por quilo, com leve alta diária de 0,12%.

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