Os preços da soja e do milho registraram queda no mercado brasileiro nos últimos dias, refletindo a combinação entre a desvalorização do dólar frente ao Real e o aumento da oferta interna. O movimento tem impactado diretamente a liquidez, com agentes mais cautelosos nas negociações.
No caso da soja, o recuo nas cotações está associado tanto ao câmbio quanto à expectativa de uma safra recorde no País. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam crescimento na área plantada e na produtividade, ampliando a disponibilidade doméstica do grão.
Safra recorde limita reação da soja
A estimativa para a safra 2025/26 aponta área de 48.472,7 mil hectares, alta de 2,4% frente ao ciclo anterior. A produtividade média deve alcançar 3.696 quilos por hectare, avanço de 2%, o que pode resultar em produção total de 179,15 milhões de toneladas, novo recorde nacional.
No campo, a colheita já atingiu 85,7% da área, com trabalhos finalizados em estados como Mato Grosso e Paraná. Por outro lado, no Rio Grande do Sul, a irregularidade das chuvas ainda preocupa e pode limitar o desempenho produtivo.
Diante desse cenário de ampla oferta e câmbio menos favorável às exportações, compradores e vendedores seguem mais seletivos, aguardando melhores oportunidades para fechar negócios.

Milho acompanha movimento de baixa
O mercado de milho também apresentou queda significativa nos preços, influenciado pelo avanço da oferta e pela postura mais pressionada dos compradores. A desvalorização do dólar contribui para reduzir a competitividade das exportações, impactando diretamente as cotações no mercado interno.
Segundo o Cepea, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) acumulou recuo de 4,8% na parcial de abril, retornando aos níveis observados em janeiro deste ano.
Consumidores têm atuado de forma pontual, priorizando compras apenas quando necessário para recomposição de estoques ou diante de oportunidades com preços mais baixos.

Negociações seguem travadas
Do lado da oferta, parte dos vendedores demonstra maior flexibilidade nas negociações, mas ainda enfrenta dificuldades para comercializar volumes maiores. Ao mesmo tempo, fatores como o avanço da colheita da safra de verão, as condições climáticas da segunda safra e o comportamento do câmbio seguem no radar do mercado.
Esse conjunto de variáveis mantém o ambiente de negócios mais lento, com negociações concentradas em volumes menores e sem pressão imediata por reposição.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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